Franquias como as do McDonald?s são vistas como os mariners do império americano do consumo. Buscam fincar suas marcas exatamente em países antes resistentes. No Oriente Médio, Ronald McDonald só deu o ar de sua graça em 1993, primeiro em Israel, depois na Arábia Saudita. O crescimento da empresa na região chegou a ser de 27% ao ano, com a inauguração de dezenas de lojas. Bons tempos. Com o acirramento do conflito no Golfo Pérsico,
o sentimento antiamericano atinge agora suas corporações-símbolo. Assim como o McDonald?s, empresas como a Coca-Cola e a
Philip Morris, responsável pelo cigarro Marlboro, vêem seus
produtos tornarem-se alvos de guerra. No Paquistão, manifestantes contrários à invasão do vizinho Afeganistão incendiaram réplicas
do cigarro e ameaçam depredar lojas.

Essa onda contra os gigantes americanos não começou após os atentados do dia 11. No ano passado, em protesto contra crimes de guerra supostamente apoiados pelos EUA, o Fórum Internacional pelo Direito dos Muçulmanos elaborou um índex do consumo, com 18 nomes de empresas e produtos: Ariel, AT&T, Chrysler, Citibank, Coca-Cola, Estee Lauder, Fanta, Ford, General Motors, Levi, Marlboro, Maxwell House, McDonald?s, Pampers, Revlon, Sprite, TWA e Wrangler. Os organizadores desse boicote ao ?mundo de Marlboro? ? cujo símbolo, o caubói, lembra o universo texano de George W. Bush ? sabem que há dificuldades em realizar o intento. Entre os franqueados do McDonald?s, por exemplo, aparecem nomes de famílias reais, pouco interessados em perder a parte que lhes cabe. Outro problema: as empresas vilãs, afinal, geram emprego.
Algumas dessas marcas, a começar do McDonald?, foram alvos também de protestos antiglobalização. Um ativista canadense, Kasle Lasn, criou uma organização especializada em destruir ou adulterar anúncios. Bem mais radicais foram as depredações a lojas do McDonald?s, provavelmente por anarquistas.

Efeitos. Oficialmente, as empresas procuram minimizar os efeitos dos protestos, ou mesmo evitam analisá-los. ?Para nós não muda nada. Continuamos crescendo?, informou uma das empresas boicotadas pelo grupo muçulmano. O presidente da Coca-Cola, Douglas Daft, disse apenas que o momento é de ?cautela?, mas a empresa já adotou medidas de proteção para seus espalhados por 200 países. O governo do Paquistão reforçou a segurança das lojas do KFC e do McDonald?s. Apesar de tudo, a Coca-Cola espera crescer entre 3% e 4% no Oriente Médio, onde está 2% do movimento mundial da empresa.

Na ponta oposta aos objetivos dos manifestantes, orientais ou ocidentais, alguns analistas acreditam que a solidariedade às vítimas do atentado pode incrementar a venda de produtos associados ao sonho americano. Mas não é improvável que o caubói do mundo de Marlboro passe a evitar terrenos minados.