10/02/2023 - 17:05
Um ataque com um veículo contra um ponto de ônibus deixou dois mortos nesta sexta-feira em Jerusalém Oriental, entre eles uma criança, informaram autoridades israelenses, no incidente mais recente de uma espiral de violência.
O incidente aconteceu no primeiro dia do fim de semana em Israel, na localidade de Ramot, bairro de colonos judeus, muito deles ultraortodoxos, em Jerusalém Oriental, área da Cidade Sagrada anexada por Israel.
O ataque aconteceu em um momento de medo de que a escalada da violência no conflito entre israelenses e palestinos se torne incontrolável. Um porta-voz da polícia informou que, por volta das 13h30 locais, o motorista de um veículo, identificado como morador do bairro palestino de Isawiye, investiu “com toda a velocidade contra pessoas inocentes que estavam no ponto de ônibus”.
Fontes médicas informaram que há dois mortos e cinco feridos, dois deles em estado grave. A organização Magen David Adom, equivalente à Cruz Vermelha em Israel, informou que um menino de 6 anos morreu no ataque. Antes, o hospital Shaare Zedek, em Jerusalém, havia informado que o menino tinha 8 anos.
O outro morto foi identificado como Alter Shlomo Lederman, 20, estudante de uma escola religiosa talmúdica. O jovem ficou ferido e morreu pouco depois de ser transferido para o hospital, disse um porta-voz.
A polícia descreveu o incidente como um ataque terrorista. “As forças policiais de Jerusalém, incluindo um agente que estava fora de serviço, chegaram rapidamente ao local e dispararam contra o terrorista, que foi neutralizado”, acrescentou.
O secretário de Estado americano, Antony Bliken, disse que “o ataque deliberado a civis inocentes é repugnante e inconcebível”.
– Pena de morte –
Uma testemunha do bairro descreveu o momento do ataque e disse que o motorista foi abatido. “Vi pessoas sendo lançadas e como (o motorista do veículo) foi abatido, sua cabeça caiu sobre o volante”, declarou à AFP Shimon, um jovem de 18 anos que mora em Ramot, onde a maioria da população é de judeus ultraortodoxos.
O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, figura importante da extrema direita, compareceu ao local do ataque, onde foi questionado por uma multidão indignada, que o repreendeu por ter traído sua promessa de campanha de garantir a segurança.
O ministro reiterou sua vontade de “instaurar uma legislação sobre a pena de morte para os terroristas”. Parte da extrema direita israelense defende essa posição, mas, até o momento, não houve uma votação sobre esse projeto. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou que decidiu “tomar medidas imediatas para interditar a casa do terrorista e destruí-la”.
Efrat, 16, que mora no bairro de Ramot, disse à AFP que está em choque: “Tenho medo de sair de casa. Olho para todos os lados, todo mundo me parece suspeito.”
– Escalada da violência –
Desde o começo do ano, o conflito entre israelenses e palestinos já deixou 43 palestinos mortos (entre combatentes e civis), oito civis israelenses e uma ucraniana mortos, segundo um balanço da AFP com base em dados fornecidos por fontes oficiais israelenses e palestinas.
O aumento da violência desde janeiro alimenta os temores de uma nova escalada da violência e vários atores internacionais pediram calma.
