Com a chegada de julho, os pampas gaúchos receberam uma ventania de boas notícias. A primeira ocorreu no dia 5, quando a empresa norte-americana Eaton anunciou que vai aplicar R$ 100 milhões na transferência de linhas agrícolas de Valinhos, interior de São Paulo, para o município de Caxias do Sul. Dois dias depois foi a vez da Granol oficializar investimentos de R$ 20 milhões na reativação e expansão de uma indústria da Centralsul, para a produção de biodiesel, em Cachoeira do Sul. A mais recente chegou da Johnson Controls Automotive. A empresa, que fabrica componentes para a indústria automotiva, garantiu a injeção de R$ 43 milhões na ampliação da planta de Gravataí. Foram sete rajadas de investimentos em 11 dias úteis, com movimentação de R$ 270 milhões. Mas o governador Germano Rigotto não está satisfeito. Na quinta-feira 28, em um café da manhã com executivos da Toyota, ele tentou convencê-los a abrir uma nova fábrica no Estado ? um investimento que pode chegar a US$ 300 milhões. ?Quando essas ações maturarem, em médio prazo, vamos crescer mais do que o Brasil” comemora Rigotto. Nos últimos dois anos, o Rio Grande do Sul conseguiu captar 174 empreendimentos, que aplicaram R$ 16 bilhões na região. Há outros 106 projetos, num total de R$ 14 bilhões, engatilhados para os próximos meses.

A Eaton escolheu o Rio Grande do Sul por sua posição estratégica, considerada como o coração do Mercosul. “Os gaúchos têm se destacado como um grande mercado consumidor e fornecedor de matéria-prima. Pensamos em longo prazo”, diz o presidente da Eaton, Carlos Briganti. A empresa se espelha nos passos da General Motors que começou a investir no mercado gaúcho em 2000. Foram US$ 600 milhões. Os retornos foram tão significativos, que em fevereiro a montadora destinou mais US$ 240 milhões para a duplicação da linha de produção da fábrica em Gravataí. “Investimos no Rio Grande do Sul porque acreditamos na recuperação da economia”, disse à DINHEIRO o presidente mundial da GM, Rick Wagoner. “Já nos consideramos uma típica empresa gaúcha”. Outro destaque é a Votorantim. A empresa de papel e celulose está investindo R$ 300 milhões e existe, ainda, a intenção de colocar mais R$ 150 milhões nos próximos cinco anos. A empresa rodou cinco capitais da costa brasileira, visitou países na América Latina e na Ásia, mas foi no Rio Grande do Sul que encontrou mão de obra qualificada, terrenos mais baratos e infra-estrutura adequada para o escoamento da produção. “Procuramos constantemente a redução de custos e bons negócios”, garante José Mendes Filho, diretor Florestal de Celulose e Papel. A grande explosão de investimentos no Rio Grande do Sul é resultado de uma política de relacionamento e de incentivos para atração de empreendedores. Para facilitar a vinda das empresas, o Fundo Operação Empresa (Fundopem) passou a garantir incentivos a longo prazo, como o parcelamento do ICMS em 13 anos. ?Estamos provocando uma reviravolta nas finanças do Estado? garante Luis Roberto Ponte, secretário de Desenvolvimento. ?O próximo governador terá uma situação muito melhor para garantir o equilíbrio das contas?.