26/01/2023 - 13:41
A Autoridade Palestina anunciou, nesta quinta-feira (26), que não vai mais cooperar no setor da segurança com Israel, depois da morte de nove palestinos durante uma incursão militar israelense no acampamento de refugiados de Jenin, na Cisjordânia ocupada.
“Diante das agressões reiteradas contra o nosso povo e das violações dos acordos firmados, sobretudo em matéria de segurança, consideramos que a cooperação em segurança com o governo de ocupação israelense já não existe a partir de agora”, assinalou, em um comunicado, o gabinete do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
A Autoridade Palestina já havia suspendido a cooperação em segurança com Israel em maio de 2020, para protestar contra um projeto israelense de anexação de territórios na Cisjordânia ocupada pelo Estado judeu desde 1967.
Mas a cooperação foi retomada em novembro daquele ano. Além disso, essa suspensão afetou os traslados de pacientes palestinos a hospitais israelenses.
O anúncio de hoje acontece depois que nove palestinos morreram durante uma incursão militar israelense em Jenin.
O Exército israelense disse que havia realizado “uma operação antiterrorista” contra a organização armada Jihad Islâmica, implicada em vários ataques contra Israel.
Os Estados Unidos, por sua vez, lamentaram a decisão tomada pela Autoridade Palestina.
“Obviamente, não achamos que este seja o passo correto neste momento”, disse Barbara Leaf, a principal diplomata americana para o Oriente Médio, antes de uma visita do secretário de Estado, Antony Blinken, à região.
“Pelo contrário, achamos que é muito importante que as partes mantenham e, inclusive, aprofundem sua coordenação de segurança”, acrescentou a diplomata.
Leaf detalhou que Washington esteve em “contato próximo”, desde a manhã, com a Autoridade Palestina e os israelenses e expressou as “preocupações” americanas pela piora da situação no terreno.
Os Estados Unidos apelam a ambas as partes para “reduzir a tensão”, disse Leaf, diante do “potencial de que as coisas ainda podem piorar”.
As forças de segurança israelenses mataram outro palestino nesta quinta em Al Ram, perto de Jerusalém.
Desde o início do ano, até 30 palestinos, civis ou membros de grupos armados, morreram em incidentes de violência envolvendo as forças de segurança e também cidadãos civis de Israel.
