Quem ultrapassou a faixa dos 40 ou 50 anos não necessariamente é mais conservador nos investimentos e evita alocações no exterior. Ao menos é o que diz a experiência da Avenue.

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Ao Dinheiro Entrevista, o General Manager da companhia e ex-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), relata que a plataforma viu uma penetração de faixas etárias crescendo substancialmente nos últimos anos – na esteira de um mercado de capitais mais maduro e que tem convencido o investidor que alocação em dólar é algo estrutural, e não estratégico.

“Sem dúvida, quando a gente foi para o mercado, o primeiro público a aderir ao modelo foi o mais jovem. Havia uma familiaridade maior com tecnologia e com plataformas digitais. Mas rapidamente isso foi penetrando em um público mais velho, à medida que cresceu o entendimento da importância da diversificação internacional”, conta.

“Hoje o conceito de investir no exterior está bem disseminado, independentemente da faixa etária. Nem todo mundo ainda tomou a iniciativa de investir fora, mas o tema já é amplamente conhecido. Isso mostra uma mudança relevante na mentalidade do investidor brasileiro”, complementa.

A visão do General Manager da Avenue é de que investir no exterior ‘não é apenas uma questão geracional’, e que no momento atual o idioma tem deixado de ser uma barreira relevante. “Isso faz com que pensar globalmente se torne algo cada vez mais natural.”

Apesar disso, frisa que as novas gerações são ainda mais propensas a investir globalmente, inclusive com carreiras que permite um estilo de vida que contemple mais viagens e interações com pessoas de outros idiomas.

“Muitas profissões já permitem trabalhar remotamente para empresas de fora, o que cria uma necessidade real de inserção financeira internacional. Esse movimento tende a se acelerar de forma exponencial.”

Velocidade da transformação

Além do surgimento de players como a Avenue, Wise e Nomad, o mercado também contou com os bancos incumbentes e outras fintechs investindo nos produtos de conta global.

“Há poucos anos, seria difícil imaginar que praticamente qualquer pessoa com conta bancária teria acesso a uma conta internacional. Hoje, em muitos aplicativos, isso é feito com poucos cliques. A velocidade dessa transformação é impressionante”, comenta.

“A possibilidade de investir diretamente lá fora contribuiu para a educação financeira do brasileiro. Ele passa a entender que precisa gerir um portfólio internacional e outro local, o que reduz o ruído sobre ‘dólar caro ou barato’ e melhora a tomada de decisão”, conclui.

Avenue na casa do milhão

Atualmente a companhia tem mais de 1 milhão de clientes.  A companhia tem sede em Miami, nos EUA, e foi fundada por Roberto Lee (ex-fundador da Clear Corretora) em meados de 2018.

Em 2022, o Itaú Unibanco comprou o controle da empresa.

A empresa opera tanto no modelo B2C (varejo) quanto B2B, e atua sob regulação da FINRA nos EUA, sendo também membro da SIPC, a organização que protege o patrimônio dos clientes em até US$ 500.000 em situações adversas.

Em 2024, a Avenue atingiu a cifra de R$ 20 bilhões em captação. Em julho de 2025, a empresa alcançou o feito de captar R$ 2,5 bilhões, o maior volume mensal da sua história.