11/03/2014 - 17:17
A busca pelo avião da Malaysia Airlines trouxe de volta o debate sobre a caixa-preta, mecanismo que mantém os registros de um voo, e levantou a questão de se está na hora de usar um registro em tempo real. Fontes da indústria da aviação civil concordam que já existe a tecnologia necessária para as empresas aéreas começarem a usar informações transmitidas via satélite, substituindo o sistema de registro físico usado hoje. Mas resta a dúvida de se as empresas, sempre buscando reduzir os gastos por estarem em um mercado altamente competitivo, estarão dispostas a investir o dinheiro necessário – e até mesmo se o investimento valeria a pena. “Não existem barreiras técnicas (…) E as barreiras financeiras podem ser superadas”, explicou à AFP Peter Goelz, ex-diretor do NTSB, órgão do governo americano que investiga acidentes aéreos e faz recomendações de segurança para o setor. “Mas, na realidade, as empresas aéreas não querem fazer nada além do que são obrigadas”, acrescentou. Os aviões geralmente carregam duas caixas-pretas – que são, na verdade, laranjas. Uma delas capta as conversas dentro da cabine, enquanto a outra registra uma série de dados, desde a velocidade da aeronave até o funcionamento das turbinas. Os mecanismos são a principal fonte de informação quando um desastre aéreo ocorre, mas sua localização é extremamente difícil quando o acidente é no mar. – Custo estimado em 300 milhões – Outra fonte importante são os ACARS, sistema de mensagens curtas enviadas digitalmente, contendo informações limitadas sobre a localização e a velocidade do avião. Não se compara, entretanto, ao montante de dados guardado por uma caixa-preta. A Malaysia Airlens informou que todas suas aeronaves são equipadas com ACARS, mas se recusou a liberar as informações que tem sobre o voo 370. Há 12 anos, a empresa americana L-3 estimou em US$ 300 milhões o custo anual para uma companhia aérea transmitir dados em tempo real, segundo a revista “Bloomberg Businessweek”. Mas Goelz diz que “não há razão para transmitir todas as informações o tempo todo”. Os sistemas poderiam ser programados para emitir um percentual limitado de dados em situações normais e aumentar esse número quando anormalidades no voo fossem detectadas. Para incentivar as empresas aéreas a investir nessa tecnologia, Goelz sugere pressão do governo, como aconteceu na implementação de detectores de fumaça e de um sistema que evita colisões entre aviões. “A tecnologia existe, mas a questão é: por que gastar o dinheiro?”, opinou John Cox, ex-piloto e presidente da consultora aérea Safety Operating Systems. Não apenas haveria um “número massivo de dados” para se lidar, como também a possibilidade de que sejam mal-interpretados, ou usados de maneira incorreta, afirmou Cox à AFP. “Historicamente, não é como se nós tivéssemos um grande número desses aviões desaparecidos (…) E não é como se nós não estivéssemos descobrindo a causa dos acidentes com a tecnologia que nós temos”, insistiu. rom/rcw/dg/tt