A Sangari, companhia inglesa que vende materiais didáticos e serviços de treinamento de professores, descobriu um atalho para aumentar as receitas no Brasil. Em vez de contar apenas com o tradicional catálogo, como faz nos 13 países onde opera, a empresa vai colocar nas ruas um batalhão de 2.500 professores especialmente treinados para divulgar seu método didático porta-a-porta ? ou melhor, escola em escola. A missão dos consultores é vender os cerca de 3 mil itens do portfólio da Sangari: coisas que vão de aparelhos de DVD a esqueletos, passando por reagentes químicos e minibiotérios, caixinhas transparentes que permitem ao aluno observar o desenvolvimento dos insetos. Cada consultor pedagógico receberá comissão de acordo com as vendas promovidas em sua região. ?Daqui algum tempo, poderemos ser o maior empregador de professores na iniciativa privada?, afirma Ben Sangari, presidente da subsidiária brasileira da empresa. ?Diferentemente da Europa, percebi que os negócios aqui surgem em torno de relacionamentos pessoais e não só profissionais. Daí a idéia de formar representantes que ficassem mais próximos dos clientes.? Se der certo, o novo modelo de vendas poderá ser adotado também em outras filiais, como a da África.

O entusiasmo de Ben Sangari com relação ao Brasil é antigo. Em 1999, o executivo trocou Londres por São Paulo para acompanhar de perto o crescimento da sua empresa familiar por aqui. Afinal, o mercado de educação movimenta cerca de R$ 90 bilhões por ano, de acordo com a consultoria Ideal Invest, e ainda é incipiente. Este ano, ele espera faturar R$ 40 milhões ? uma quantia ainda modesta frente aos US$ 220 milhões de receitas obtidas pelo grupo no ano passado. ?Mas até 2010 a unidade brasileira será uma companhia de R$ 1 bilhão?, afirma. E não é tudo: se as coisas continuarem neste ritmo, a Sangari pode abrir capital no Brasil. Mais especificamente na Bovespa, em São Paulo.

De olho no aumento de demanda que os consultores podem trazer, a empresa já tratou de investir mais R$ 6 milhões este ano para expandir suas instalações e desenvolver novos produtos. Entre eles, por exemplo, um sistema de ensino de ciências ? pelo qual o aluno aprende as leis da física, da química e da biologia sem esforço, com situações cotidianas. E as inovações criadas para o mercado nacional também despertam o interesse de escolas em outros países, especialmente nos Estados Unidos e no Japão. As exportações para esses locais já começaram. Enquanto os alunos aprendem brincando, o empresário Ben Sangari capricha em cálculos e não cabula aula sobre as melhores oportunidades de negócio.