03/04/2026 - 8:00
A B3 anunciou o lançamento de seis novos contratos de eventos para o dia 27 de abril. Os novos produtos expandem a prateleira de derivativos listados, apresentando uma mecânica de negociação simplificada em comparação aos modelos tradicionais. Os ativos serão referenciados no Ibovespa, no dólar e no bitcoin, com tickers específicos para cada modalidade, como o BWI (Futuro Míni de Ibovespa) e o BBC (Bitcoin à Vista).
Os contratos de eventos são instrumentos derivativos vinculados a resultados objetivos. No caso dos novos lançamentos, o desfecho é definido pelo comportamento de variáveis de mercado, como o valor de fechamento do dólar em determinado dia. Diferente das opções convencionais, esses contratos oferecem um potencial de ganho conhecido desde o início da operação, o que reduz a complexidade para o investidor.
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Os contratos disponíveis serão:
- Contrato de Evento sobre Futuro Míni de Ibovespa B3 (ticker: BWI);
- Contrato de Evento sobre Índice Bovespa B3 (ticker: BBV);
- Contrato de Evento sobre Futuro Mini de Dólar (ticker: BWD);
- Contrato de Evento sobre Dólar à Vista (ticker: BDO);
- Contrato de Evento sobre Futuro de Bitcoin (ticker: BBI);
- Contrato de Evento sobre Bitcoin à Vista (ticker: BBC).
A estrutura dos produtos recebeu a liberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Inicialmente, o acesso será restrito a investidores profissionais, categoria que engloba aqueles com mais de R$ 10 milhões alocados ou certificação técnica. A liquidação será exclusivamente financeira, ocorrendo em ambiente regulado com garantia de contraparte e formação de preço transparente em tela multilateral.
“Temos acompanhado a evolução dos mercados preditivos no exterior para trazer novos contratos de eventos para o Brasil, em diálogo com a CVM e o mercado”, afirmou Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3
De acordo com Masagão, a iniciativa busca simplificar a experiência de operação sem abrir mão da segurança institucional. O executivo ressalta que a bolsa já opera opções de Copom e decisões de política monetária internacional, e que os novos lançamentos seguem os padrões de governança e robustez operacional do ambiente listado.
Como funciona o mercado de previsões?
Nos Estados Unidos, onde esse mercado já é maduro e regulamentado, existe uma grande polêmica de que plataformas de prediction market atuam como uma espécie de casa de apostas disfarçadas. Diferente de casas de apostas tradicionais, esse mercado opera como uma bolsa de valores (supervisionada pela CFTC nos EUA e pela CVM no Brasil). No Estados Unidos, os usuários negociam contratos de eventos sobre o desfecho de situações reais, como resultados eleitorais, indicadores econômicos, clima ou cultura pop. No caso dos contratos negociados na B3, eles serão exclusivamente sobre os indicadores financeiros.
A negociação, na prática, funciona da seguinte forma:
Cada evento listado no mercado se transforma em um “contrato”. A mecânica básica desses contratos é binária:
- O contrato paga US$ 1 se o evento acontecer.
- O contrato paga US$ 0 se o evento não acontecer.
- No vencimento, os contratos são binários e valem US$ 0 e US$ 1.
Por exemplo, se o evento for “A inflação (CPI) de março ficará acima de 3,5%?”, o contrato terá dois preços: Sim e Não. Suponha que o preço do contrato Sim esteja em US$ 0,40. Isso significa que o mercado acredita que há 40% de chance da inflação passar de 3,5%.
Cenário A – Você acha que a inflação vai passar de 3,5%
Você compra o contrato por US$ 0,40.
Se estiver certo, recebe US$ 1.
Lucro = US$ 0,60 por contrato.
Cenário B – Você acha que NÃO vai passar
Você compra o contrato “Não” por US$ 0,60.
Se estiver certo, ganha US$ 1.
Lucro = US$ 0,40 por contrato.
Desta forma, os traders trazem informações do mundo real (dados, modelos, notícias) e isso torna o preço final uma previsão coletiva, como mostrado na literatura econômica. Quanto mais pessoas negociam, mais precisa é essa probabilidade.
Quem é Luana Lopes Lara, dona da Kalshi?
Uma das principais plataformas de prediction market do mercado é a Kalshi, criada pela brasileira Luana Lopes Lara. Ela é a bilionária self-made, ou seja, que não herdou a sua fortuna pessoal, mais jovem do mundo, aos 29 anos.
A plataforma da brasileira, que recentemente selou um acordo com a XP, permite que investidores possam especular em diversos eventos, não só econômicos. Nos Estados Unidos a companhia é regulamentada pelo Commodity Futures Trading Commission (CFTC) como uma plataforma de investimento. O CFTC é um órgão regulatório, com atuação semelhante à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no Brasil.
Casas de apostas nos Estados Unidos frequentemente acusam a plataforma de agir como uma bet disfarçada, já que essas companhias precisam seguir regras muito mais rígidas dentro dos Estados Unidos doque a Kalshi.
