17/07/2002 - 7:00
Quem acompanha os números da balança comercial brasileira tem festejado o superávit de US$ 3 bilhões alcançado no primeiro semestre. Mas uma situação artificial, iniciada há quatro meses, tem ajudado a dourar os números. A greve dos 7,4 mil fiscais da Receita Federal, que são os responsáveis pelo desembaraço dos produtos importados na Alfândega, explica parte desse superávit. Nos portos e aeroportos brasileiros, estão retidos produtos avaliados pelos próprios grevistas em R$ 2,5 bilhões. São mercadorias que, certamente, reduziriam o saldo comercial e que, além disso, estão causando graves transtornos a muitos empresários. ?A greve só está acontecendo por descaso total do governo?, disse à DINHEIRO Alfried Plöger, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas. Principal autoridade debruçada sobre o assunto, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, não quis se manifestar. Na quarta 10, os fiscais da Receita se declararam em ?greve branca?. Até que consigam do governo reajuste e um novo plano de carreira, todas as quintas-feiras eles pretendem parar o trabalho por 24 horas, liberando apenas mercadorias inflamáveis, perecíveis, vivas ou remédios. Nos outros dias úteis, pretendem trabalhar em regime de operação tartaruga, com lentidão proposital. A situação não tem prejudicado apenas os importadores. Também estão retidos vários insumos que são usados por exportadoras. ?A situação está dramática para alguns empresários, que estão tendo de pagar caro pela quebra de contratos?, lembra Maria Helena Afonso, presidente da Associação Brasileira de Executivos de Comércio Exterior. Na tentativa de amenizar as perdas, algumas associações foram à Justiça contra os fiscais. Ou seja: o governo pode ser obrigado a cobrir os prejuízos causados aos empresários. Infelizmente, com dinheiro público.