Os executivos de Wall Street sabem ser implacáveis com empresas que dão passos em falso. Deixam as ações entrar em queda livre e cobram enfaticamente ajustes estratégicos e cortes dramáticos. O que não esperavam era serem submetidos ao sabor amargo do próprio remédio. Os grandes bancos de investimento americanos cambalearam no ano passado, atingidos pela recessão americana e pelo atentado ao World Trade Center, e tiveram que passar pelo calvário que impõem às demais empresas nas bolsas. Quem caiu mais fundo foi justamente a instituição que era a mais arrogante, o Crédit Suisse First Boston. O banco fechou o ano com um prejuízo de quase US$ 1 bilhão causado por todo tipo de problema: ações na Justiça, custos com demissões, perdas em operações com empresas quebradas e até a prosaica queda de receita. Seu resultado foi o pior, mas seus problemas também existiram para seus pares. O resultado aparece no preço das ações. Em doze meses, bancos e corretoras perderam de 25% a 50% do valor de mercado.

Os números refletem exatamente o tamanho da crise que o setor enfrenta. Instituições como Merrill Lynch, Morgan Stanley, Lehman Brothers e Charles Schwab tiveram queda de receita de pelo menos 35% em 2001. A perda mais dura foi na coluna de corretagem e de operações de mercados de capitais, como, por exemplo, as ofertas públicas iniciais (IPOs). Os negócios secaram nessas áreas, como fruto da recessão americana, e o dinheiro sumiu. As demissões nos bancos, com isso, seguiram-se aos milhares. Até novembro, as cabeças cortadas chegavam a 30 mil ? um Itaú inteiro em onze meses.