14/11/2013 - 10:13
Beto Sicupira, um dos sócios de Jorge Paulo Lemann em gigantes como a AB Inbev e a Heinz, costuma dizer que custos são como unhas, deve-se cortá-los sempre. Para a Eneva, essa máxima nunca foi tão urgente. Os custos operacionais dispararam mais de 4.000% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2012, e somaram R$ 303,8 milhões. Com isso, o prejuízo líquido mais do que dobrou, chegando a R$ 178 milhões.
Em porcentagem, os gastos com pessoal foram os que mais subiram: 1.402%. Mas os R$ 11,9 milhões que representaram têm pouca influência sobre o total. O que realmente pesou na conta foram os custos com insumos, que avançaram 771%, para R$ 156 milhões.
O aumento desta rubrica foi puxado pelo começo da operação comercial das termelétricas de Itaqui e Parnaíba I. Elas também refletiram em maiores custos de serviços de terceiros, que incluem os gastos com manutenção, por exemplo.
Abaixo da capacidade
A Eneva também registrou R$ 23,3 milhões em custos de indisponibilidade, um gasto que a empresa não teve no terceiro trimestre do ano passado. A conta é uma espécie de penalidade pela companhia não gerar, efetivamente, a energia correspondente à sua capacidade de fornecimento líquida.
?A companhia está discutindo essa metodologia de cobrança por entender que os contratos de fornecimento de energia não prevêem tais encargos medidos hora a hora?, informou no release de resultados divulgado nesta quinta-feira 14.
Mais caixa
Outros aspectos do balanço mostram melhora. O caixa, um indicador sensível, terminou setembro em R$ 284 milhões, quando já se descontam um erro de cálculo, para mais, de R$ 72,3 milhões cometido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O valor, já ajustado, é maior que os R$ 150 milhões com que a Eneva encerrou junho.
A dívida líquida também baixou 7% em relação ao segundo trimestre, para R$ 5,2 bilhões.
Agora com o controle compartilhado entre a alemã E.ON e Eike Batista, a Eneva precisa correr para reequilibrar as contas. Afinal, para continuar com a imagem das unhas: quando elas estão muito grandes, arranham e machucam.