10/11/2016 - 11:07
O balanço do Bradesco no terceiro trimestre é de transição, pois o banco registrou três eventos importantes com a integração, pela primeira vez, dos números do HSBC Brasil, de acordo com o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi. “Tivemos ajustes de diferenças do Bradesco e HSBC, crescimento de despesas operacionais pela consolidação e que serão mitigados com ganhos de sinergia. A Basileia caiu por conta da aquisição e tivemos aumento de provisões para devedores duvidosos”, explicou o executivo, em teleconferência com a imprensa, na manhã desta quinta-feira, 10.
Por conta desses ajustes, o Bradesco anunciou nesta quinta lucro líquido contábil de R$ 3,236 bilhões no terceiro trimestre, cifra 21,5% menor do que a registrada um ano antes, de R$ 4,120 bilhões. Dentre os impactos no período, estão R$ 716 milhões em provisões para devedores duvidosos excedentes por conta de agravamento de rating e arrasto das carteiras do HSBC Brasil.
“Independentemente do lucro no trimestre, que apresentou queda de 21,7%, consideramos o resultado dos nove primeiros meses extremamente positivos”, avaliou Trabuco.
De acordo com ele, o aumento de PDD reflete a adaptação de critérios e procedimentos do HSBC aos do Bradesco e a absorção de créditos específicos e em descompasso com a nova realidade da economia brasileira. Explicou, contudo, que esses eventos são normais diante do ambiente no País.
Trabuco afirmou ainda que o balanço de transição do Bradesco tem como pano de fundo um novo ciclo econômico. “Estamos saindo de um dos ciclos mais duros da economia brasileira, mas vemos cenário de melhora gradual das condições econômicas do País. O ciclo se completa no próximo ano”, destacou Trabuco.
Ele lembrou ainda que os impactos que o Bradesco teve acontecem em meio a um ambiente de queda de crédito e da atividade econômica que amplificam os desafios da gestão da indústria bancaria no Brasil. “Acreditamos que indicadores vão mudar de tom à medida que os trimestres avancem em 2017. É tempo de mudança do ciclo da economia brasileira. Há perspectiva de PIB melhor, queda de inflação, dos juros e a continuidade processo ajuste fiscal que estão criando condições fundamentais para abrir possibilidade de recuperarmos indicadores de confiança para voltar a investir e contribuir para a retomada do PIB”, avaliou.
O presidente do Bradesco acredita em uma maior demanda por crédito no próximo ano que deve reafirmar a capacidade ociosa da economia brasileira.
Inadimplência
O índice de inadimplência do Bradesco, considerando atrasos acima de 90 dias, deve atingir o pico no quarto trimestre deste ano e depois engrenar em uma trajetória de estabilidade, de acordo com o diretor gerente e de relações com investidores do banco, Luiz Carlos Angelotti. Apesar disso, o executivo disse que o indicador está em linha com o esperado pela administração.
A inadimplência do Bradesco encerrou setembro em 5,4%, 0,8 ponto porcentual acima do indicador visto ao final de junho, de 4,6%. Em um ano, quando o índice estava em 3,8%, o aumento chegou a 1,6 ponto porcentual.
“Ainda teremos alta da inadimplência, mas a tendência futura é de estabilização e, posteriormente, possível queda. A queda deve ocorrer mais para o final de 2017 e 2018 e os spreads devem acompanhar o movimento”, explicou Angelotti, em teleconferência com jornalistas, nesta manhã.
De acordo com ele, a queda dos spreads se dará no tempo e acompanhará a redução da inadimplência. O executivo explicou, contudo, que dessa vez a redução dos calotes se dará em ritmo mais lento por conta do atual ciclo econômico.
“Esperamos que uma melhor qualidade de clientes que não vinham tomando crédito possivelmente retornem. Os spreads vão se ajustar para baixo com o tempo, acompanhando o ciclo da inadimplência. Dessa vez, vai cair de forma mais lenta, dado o ambiente econômico”, destacou Angelotti.
Crédito
O Bradesco espera entregar expansão da sua carteira de crédito próxima à do sistema, de 5%, segundo Angelotti. “A margem durante o ano vem sendo pressionada pelo não crescimento do crédito. Olhando para frente, não temos um guidance ainda, mas esperamos que em 2017 o crescimento de crédito seja próximo a 5%”, disse ele, em teleconferência com a imprensa, nesta manhã.
A carteira de crédito do Bradesco alcançou R$ 521,771 bilhões de julho a setembro, cifra 16,6% maior que a registrada nos três meses anteriores, de R$ 447,492 bilhões. Em um ano, quando somou R$ 474,488 bilhões, foi visto incremento de 10,0%.
O Bradesco revisou, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, os guidances divulgados para este ano após a consolidação do HSBC Brasil. Conforme o novo guidance, o Bradesco espera que sua carteira de crédito encolha de 7% a 3% neste ano, considerando os números do HSBC desde janeiro de 2015 (pro forma).
Já se levado em conta o balanço do banco inglês apenas a partir do segundo semestre deste ano, a expectativa da instituição é de que os empréstimos cresçam de 8% a 12% em 2016 em relação ao ano passado. Anteriormente, o banco projetava queda de 4% até estabilidade da carteira.