A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 do setor de bens de capital começa com expectativas de recuperação desigual. Embora as ações brasileiras tenham avançado desde o início de outubro, o ambiente operacional doméstico permanece desafiador, na avaliação da XP Investimentos.

O Bradesco BBI vê espaço limitado para resultados acima das expectativas. Para o banco, parte da retomada após um segundo trimestre fraco decorre de bases de comparação mais favoráveis e já está incorporada ao consenso do mercado.

A WEG abre a temporada nesta quarta-feira (21), antes da abertura do mercado. A Embraer aparece entre as perspectivas positivas, enquanto a Marcopolo enfrenta pressão sobre volumes e rentabilidade.

WEG deve combinar crescimento com rentabilidade elevada

A XP espera resultados marginalmente positivos para a WEG (WEGE3). Bases de comparação mais favoráveis devem ajudar a receita, enquanto os investimentos recentes em capacidade ainda passam pela fase inicial de expansão da produção.

O BBI projeta crescimento de 4% na receita em relação ao terceiro trimestre de 2025. A expectativa considera melhora da competitividade no segmento de geração, transmissão e distribuição de energia no Brasil e menor impacto negativo do câmbio.

A demanda internacional por transformadores e alternadores deve continuar sustentando os negócios. No mercado doméstico, o banco prevê recuperação da receita.

A rentabilidade deve permanecer elevada, embora pressionada pelos custos de matérias-primas e por tarifas. As ineficiências iniciais das novas fábricas também entram nessa conta.

Embraer tem perspectiva positiva com entregas e produção

A avaliação para a Embraer (EMBJ3) é favorável, com as entregas já divulgadas sustentando a expectativa de cumprimento das projeções anuais de receita e rentabilidade.

O Santander considera a fabricante de aeronaves um dos destaques da temporada. O banco classificou os dados de entregas como moderadamente positivos, apesar de os segmentos de aviação comercial e executiva terem ficado abaixo de suas estimativas.

Para a instituição, os esforços de equilíbrio da produção estão ganhando tração, ampliando a possibilidade de maior previsibilidade do fluxo de caixa livre.

O Santander mantém a avaliação de que as metas de 2026 são alcançáveis e vê possibilidade de surpresa positiva no balanço.

Marcopolo enfrenta queda de volumes e pressão nos custos

A Marcopolo (POMO4) aparece como destaque negativo na análise da XP. A combinação de menores volumes domésticos e custos pressionados deve superar o benefício de uma composição de vendas mais favorável.

O BBI projeta queda de 21% na produção local na comparação anual. A estimativa reflete a ausência de entregas de programas governamentais e o desempenho fraco das exportações.

Argentina e México permanecem entre os mercados internacionais pressionados. Nesse cenário, o banco espera retração da receita e redução da rentabilidade.

O lucro líquido projetado é de R$ 204 milhões, abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

Intelbras pode surpreender nas margens

A Intelbras (INTB3) deve apresentar recuperação do crescimento da receita consolidada após a queda registrada no segundo trimestre. O segmento de segurança aparece como um dos principais apoios ao desempenho.

As estimativas apontam avanço da margem EBITDA na comparação anual. Embora a rentabilidade deva ficar abaixo do trimestre anterior, a projeção supera as indicações anteriores da companhia.

Randoncorp e Fras-le devem ter desempenhos distintos

O BBI espera aceleração da receita da Randoncorp (RAPT4) quando excluída a Fras-le. No consolidado, porém, o desempenho deve ser parcialmente compensado pela retração prevista na controlada.

A expectativa combina crescimento moderado da receita com redução da margem EBITDA. O lucro líquido, por sua vez, deve avançar em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Para a Fras-le (FRAS3), o banco prevê queda da receita. A análise associa o movimento ao adiamento de compras por distribuidores, relacionado a efeitos tributários em São Paulo, e à gestão cautelosa dos estoques.

Iochpe-Maxion deve se beneficiar da recuperação nos EUA

A Iochpe-Maxion (MYPK3) deve retomar o crescimento da receita, de acordo com o BBI. O principal impulso esperado vem da recuperação dos volumes nos Estados Unidos.

A projeção aponta avanço tanto em reais quanto em moeda constante, com melhora da atividade apoiando o resultado operacional.

Mercados internacionais sustentam expectativa para Tupy

A Tupy (TUPY3) deve voltar a registrar crescimento da receita no terceiro trimestre. O BBI atribui a recuperação à melhora dos mercados internacionais.

A operação externa concentra a expectativa de expansão e deve sustentar o desempenho consolidado da companhia.

Mahle Metal Leve enfrenta retração doméstica

Para a Mahle Metal Leve (LEVE3), a perspectiva é de queda da receita na comparação anual. A retração esperada no Brasil e as condições do mercado argentino pressionam o desempenho.

A estimativa indica lucro líquido inferior ao registrado no terceiro trimestre de 2025. A divulgação dos balanços mostrará em que medida a recuperação de volumes compensou as pressões sobre custos e margens em cada companhia.

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