20/10/2026 - 16:08
A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 do setor de bens de capital começa com expectativas de recuperação desigual. Embora as ações brasileiras tenham avançado desde o início de outubro, o ambiente operacional doméstico permanece desafiador, na avaliação da XP Investimentos.
O Bradesco BBI vê espaço limitado para resultados acima das expectativas. Para o banco, parte da retomada após um segundo trimestre fraco decorre de bases de comparação mais favoráveis e já está incorporada ao consenso do mercado.
A WEG abre a temporada nesta quarta-feira (21), antes da abertura do mercado. A Embraer aparece entre as perspectivas positivas, enquanto a Marcopolo enfrenta pressão sobre volumes e rentabilidade.
WEG deve combinar crescimento com rentabilidade elevada
A XP espera resultados marginalmente positivos para a WEG (WEGE3). Bases de comparação mais favoráveis devem ajudar a receita, enquanto os investimentos recentes em capacidade ainda passam pela fase inicial de expansão da produção.
O BBI projeta crescimento de 4% na receita em relação ao terceiro trimestre de 2025. A expectativa considera melhora da competitividade no segmento de geração, transmissão e distribuição de energia no Brasil e menor impacto negativo do câmbio.
A demanda internacional por transformadores e alternadores deve continuar sustentando os negócios. No mercado doméstico, o banco prevê recuperação da receita.
A rentabilidade deve permanecer elevada, embora pressionada pelos custos de matérias-primas e por tarifas. As ineficiências iniciais das novas fábricas também entram nessa conta.
Embraer tem perspectiva positiva com entregas e produção
A avaliação para a Embraer (EMBJ3) é favorável, com as entregas já divulgadas sustentando a expectativa de cumprimento das projeções anuais de receita e rentabilidade.
O Santander considera a fabricante de aeronaves um dos destaques da temporada. O banco classificou os dados de entregas como moderadamente positivos, apesar de os segmentos de aviação comercial e executiva terem ficado abaixo de suas estimativas.
Para a instituição, os esforços de equilíbrio da produção estão ganhando tração, ampliando a possibilidade de maior previsibilidade do fluxo de caixa livre.
O Santander mantém a avaliação de que as metas de 2026 são alcançáveis e vê possibilidade de surpresa positiva no balanço.
Marcopolo enfrenta queda de volumes e pressão nos custos
A Marcopolo (POMO4) aparece como destaque negativo na análise da XP. A combinação de menores volumes domésticos e custos pressionados deve superar o benefício de uma composição de vendas mais favorável.
O BBI projeta queda de 21% na produção local na comparação anual. A estimativa reflete a ausência de entregas de programas governamentais e o desempenho fraco das exportações.
Argentina e México permanecem entre os mercados internacionais pressionados. Nesse cenário, o banco espera retração da receita e redução da rentabilidade.
O lucro líquido projetado é de R$ 204 milhões, abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Intelbras pode surpreender nas margens
A Intelbras (INTB3) deve apresentar recuperação do crescimento da receita consolidada após a queda registrada no segundo trimestre. O segmento de segurança aparece como um dos principais apoios ao desempenho.
As estimativas apontam avanço da margem EBITDA na comparação anual. Embora a rentabilidade deva ficar abaixo do trimestre anterior, a projeção supera as indicações anteriores da companhia.
Randoncorp e Fras-le devem ter desempenhos distintos
O BBI espera aceleração da receita da Randoncorp (RAPT4) quando excluída a Fras-le. No consolidado, porém, o desempenho deve ser parcialmente compensado pela retração prevista na controlada.
A expectativa combina crescimento moderado da receita com redução da margem EBITDA. O lucro líquido, por sua vez, deve avançar em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Para a Fras-le (FRAS3), o banco prevê queda da receita. A análise associa o movimento ao adiamento de compras por distribuidores, relacionado a efeitos tributários em São Paulo, e à gestão cautelosa dos estoques.
Iochpe-Maxion deve se beneficiar da recuperação nos EUA
A Iochpe-Maxion (MYPK3) deve retomar o crescimento da receita, de acordo com o BBI. O principal impulso esperado vem da recuperação dos volumes nos Estados Unidos.
A projeção aponta avanço tanto em reais quanto em moeda constante, com melhora da atividade apoiando o resultado operacional.
Mercados internacionais sustentam expectativa para Tupy
A Tupy (TUPY3) deve voltar a registrar crescimento da receita no terceiro trimestre. O BBI atribui a recuperação à melhora dos mercados internacionais.
A operação externa concentra a expectativa de expansão e deve sustentar o desempenho consolidado da companhia.
Mahle Metal Leve enfrenta retração doméstica
Para a Mahle Metal Leve (LEVE3), a perspectiva é de queda da receita na comparação anual. A retração esperada no Brasil e as condições do mercado argentino pressionam o desempenho.
A estimativa indica lucro líquido inferior ao registrado no terceiro trimestre de 2025. A divulgação dos balanços mostrará em que medida a recuperação de volumes compensou as pressões sobre custos e margens em cada companhia.
Leia mais
Inflação nos EUA pode exigir reação do Fed e pressionar ações e títulos
Flávio promete retomar Perse e ampliar apoio fiscal ao setor de shows
Bolsas da Europa recuam com pressão em tecnologia e risco geopolítico
CAOA Chery Tiggo 9 chega com sete lugares, tração integral e preços a partir de R$ 249.990
