23/10/2002 - 7:00
Aloysio Faria voltou ao mundo dos bancos comerciais. O Alfa, banco do antigo
dono do Real, entrou na disputa por mercados como o de crédito direto a pessoas físicas e o de gestão de recursos no varejo. Está dando cheque especial e empréstimos pessoais. Foi uma surpresa para cem por cento dos especialistas de mercado, que previam para o Alfa um futuro de discreto banco de investimento. Faria concluiu que essa não é a vocação de seu grupo. E voltou ao varejo. Não que isso signifique abrir centenas de agências. Mas o banco já instalou pontos de atendimento em oito cidades e partiu para a oferta de produtos típicos de varejo. ?Somos o segundo banco dos nossos clientes. Eles não deixam o dinheiro da conta corrente aqui, mas pegam dinheiro emprestado ou fazem suas aplicações?, diz o presidente do banco, Paulo Guilherme Monteiro Lobato.
O avanço rumo ao varejo é extensão natural dos negócios com grandes empresas e pessoas físicas abastadas. Os diretores que saíram do Real para o Alfa mantiveram o acesso a 90% das grandes empresas brasileiras, na área do crédito, e conseguiram levar também clientes de private banking. Mas, para chegar ao varejo, foi preciso fazer mais. Primeiro, o banco focou sua mira em um público com renda acima de R$ 5 mil mensais. Para atraí-los, passou a oferecer serviços em condições melhores que as de mercado. Os juros do cheque especial, por exemplo, são sempre menores que os dos grandes bancos de rede. O banco também promete rendimento maior nos fundos de investimento. ?A gente se apresenta como capaz de emprestar mais barato?, explica Paulo Guilherme. ?Crédito vai ser sempre nosso maior negócio.? Cerca de 15% dos negócios deverá vir do varejo, mas, na rentabilidade do banco, a participação será maior.
Oito cidades foram escolhidas pelo banco para começar no varejo e o Alfa abriu uma agência em cada uma delas. Não mais que isso, para não desviar o banco de sua rota. ?Seguimos princípios rígidos para não cair na tentação de voltar à origem?, diz Paulo Guilherme, em referência à passagem dos principais executivos do banco pelo Real. Com apenas um ponto por cidade, a instituição evita, por exemplo, transformar-se em banco de conta corrente. Há, claro, desvantagens. Os negócios não entram espontaneamente pela porta do banco, como ocorria na época do Real. Mas, na outra ponta, o Alfa ganhou agilidade e ficou mais próximo da definição de instituição moderna que os especialistas costumam receitar. Enquanto os grandes bancos vendem agências, o Alfa sequer as instalou. ?Não imobilizamos nosso capital em lojas.?
O projeto é de longo prazo. O Alfa tem patrimônio líquido de R$ 900 milhões, grande demais para o tamanho seu atual, e equipe igualmente grande, de 650 pessoas. Mas a opção foi de deixar a máquina pronta para crescer. ?Preferimos ter algum tempo de rentabilidade menor a desmontar uma estrutura que funciona bem?, explica Paulo Guilherme. O banco já se equipara a instituições como CSFB Garantia e o braço brasileiro do Bank of America. Com a estrutura atual, dá para dobrar de tamanho e atingir R$ 10 bilhões em ativos. ![]()