O Banco Central (BC) abriu um processo interno para apurar o crescimento acelerado e a posterior liquidação do Banco Master. A decisão foi tomada pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo, e está sendo conduzido pela corregedoria do BC. O ex-diretor de Fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandou a diretoria de 2019 a 2023, foi afastado do cargo, por decisão de Galípolo, uma semana depois da liquidação, e depois pediu para sair do cargo.

O mesmo ocorreu com o chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santana. Não há acusação, contudo, contra os servidores. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão. Não há prazo para o fim da investigação por parte da corregedoria, que tem autonomia para conduzir o caso. O objetivo da medida é tentar entender o que aconteceu com o Master, e como o Banco Central pode reforçar a sua governança interna de fiscalização.

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A investigação no Banco Central está em linha com algo amplamente comentado nos bastidores da Faria Lima e informado pela IstoÉ Dinheiro na semana passada. Entre economistas, gestores e mesmo executivos de bancos, muito antes da liquidação do Master, o próprio BC já tinha conhecimento e havia sido avisado sobre os riscos que o banco de Daniel Vorcaro representava. Banqueiros de diferentes tamanhos teriam levado o alerta ao governo, antes mesmo da chegada de Gabriel Galípolo do BC.

Desde a gestão de Roberto Campos Neto já era sabido que o banco de Daniel Vorcaro poderia enfrentar um processo de liquidação e ter de recorrer aos recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O que se especula são os motivos para tanta demora em uma ação por parte do Banco Central, que poderia ter evitado um prejuízo de tamanha magnitude. São exatamente essas razões que serão investigadas agora pelo Banco Central.