O Copom (Conselho de Política Monetária) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros e a Selic segue a 15% ao ano. Esta é a quinta reunião seguida em que o Conselho decide pela manutenção do nível de juros. A decisão foi unânime entre os membros.

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De acordo com o comunicado, o início do ciclo de afrouxamento monetário, com cortes na taxa, deve ser já na próxima reunião, em 17 e 18 de março.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.

A decisão está alinhada à expectativa do mercado, de que a taxa seria mantida. Mas o foco está no comunicado do Comitê, pois se espera que um ciclo de cortes na taxa tenha início na próxima reunião, em março. Por conta de um mercado de trabalho ainda nas mínimas e dados de atividade que tem mostrado uma desaceleração dentro do esperado, uma parte significativa do mercado espera que o Copom se limite a mudanças no comunicado.

A maior parte da divergência fica com as discussões sobre Selic terminal, podendo ser de 12% a 12,50%, e a magnitude dos cortes, com alguns especialistas esperando que o ciclo comece com 0,25 ponto percentual (p.p.) ao passo que outros miram cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p.. De acordo com o Boletim Focus, levantamento semanal feito pelo Banco Central com agentes do mercado, a projeção é de que a Selic chegue ao final de 2026 a 12,5%.

“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência (Tabela 1)”, diz o comunicado.

A inflação, medida oficialmente pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), é um balizador para a taxa de juros. A meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5% ao ano.

Juros nos EUA

O Federal Reserve (Fed – o banco central dos Estados Unidos), decidiu pela manutenção da taxa de juros nesta quarta-feira, que segue na faixa de 3,75% a 4,00%.

A decisão não foi unânime. Dos 12 membros do Fomc (equivalente ao Comitê de Política Monetária no Brasil), 10 votaram pela manutenção, incluindo o presidente Jerome Powell. Outros dois membros votaram pela redução de 0,25 ponto percentual na taxa.

A manutenção dos juros por lá foi em linha com a expectativa do mercado. Apesar da pressão do presidente Donald Trump pela queda da taxa de juros, 97% do mercado acreditava na manutenção da faixa.

Leia a íntegra do comunicado do Copom

O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.