23/06/2026 - 15:03
A Polícia Federal está desde cedo nas ruas para cumprir mandados judiciais de busca e apreensão, no âmbito da Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira (23) para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O alvo das investigações é o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.
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Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. Entre as medidas estão a quebra de “sigilos bancário e fiscal dos investigados e o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões. O alvo da operação é uma instituição financeira
“As investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central do Brasil, apontam que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, para aparentar solvência perante os órgãos de controle e para viabilizar operações supostamente irregulares”, informou a PF, em nota.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela Lei nº 7.492/1986.
Em nota, o Digimais disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades
competentes”, afirmou.
Em abril, o BTG fechou acordo para aquisição do controle acionário do Digimais por um valor não divulgado. A conclusão da transação, no entanto, tinha condicionantes e de aprovações regulatórias, inclusive do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Procurado pela IstoÉ Dinheiro, o BTG não comentou a operação da PF, mas fontes próximas ao banco afirmam que reduziram significativamente as chances do acordo de compra do Digimais ser concluída nos termos negociados em abril.
Fundado em 1981 em Porto Alegre como Banco Renner, pela família homônima, a instituição passou por mudanças de controle até adotar o nome Digimais em 2020. Naquela ocasião, foi reestruturada para operar como banco digital. Foi nesse momento que Edir Macedo assumiu o controle integral, após já ser acionista minoritário desde 2009. Em janeiro deste ano, Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, assumiu o comando da instituição como CEO após ser homologado pelo Banco Central.
O Digimais atua como banco múltiplo, operando carteiras de crédito, financiamento e investimento. Mais da metade das operações (52%) estão no financiamento de veículos, outros 42% em empréstimos com crédito consignado e 6% para outras operações, com maior participação na oferta de capital de giro para empresas.
