O Banco do Brasil espera que sua inadimplência, considerando os atrasos acima de 90 dias, fique estável ao longo de 2015, a despeito do crescimento das despesas com provisões para devedores duvidosos, chamadas de PCLD, no primeiro trimestre, segundo José Mauricio Pereira Coelho, vice-presidente de gestão financeira e de relações com investidores da instituição. Algumas variações, conforme ele, porém, podem ocorrer ao longo do exercício.

Após melhorar no último trimestre de 2014, o índice de inadimplência do Banco do Brasil, que considera os atrasos acima de 90 dias, voltou a piorar no começo deste ano. O indicador passou de 2,03% em dezembro para 2,05% em março. Em um ano, quando a inadimplência estava em 1,97%, o aumento foi de 0,08 ponto porcentual.

O índice de curto prazo, que considera atrasos de 15 a 60 dias, passou de 1,05% em dezembro para 1,81% em março. Há um ano, estava em 1,17%. Sobre o aumento neste indicador, Coelho disse que não está migrando para o de longo prazo, acima de 90 dias, o que é positivo uma vez que esse é o indicador que sinaliza melhor o comportamento dos calotes.

Em relação às despesas com provisões para devedores duvidosos do Banco do Brasil, chamadas de PCLD, no trimestre, Coelho explicou que esses gastos foram impactados por um aumento de pedidos de recuperação judicial no período. Ele não detalhou, porém, quais os setores responsáveis pela piora.

“Temos uma postura de ser mais conservador. Fizemos provisões para clientes que tinham, até operações em dia, mas que tiveram agravamento de risco”, afirmou ele, em coletiva de imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira, 14.

Questionado sobre o impacto de pedidos de recuperação judicial de empresas envolvidas na Lava Jato, o vice-presidente do BB disse que não pode comentar casos específicos, mas que alguns casos que são públicos refletiram no comportamento das despesas com provisões. Esses gastos totalizaram R$ 5,999 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 15,3% ante o trimestre anterior, de R$ 5,203 bilhões. Em um ano, quando estava em R$ 4,187 bilhões, foi vista elevação de 43,3%.

O saldo de provisão para devedores do BB alcançou R$ 28,935 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 20,2% em um ano, quando estava em R$ 24,075 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, de R$ 27,312 bilhões, o aumento foi de 5,9%.

De acordo com Coelho, o empréstimo no valor R$ 4,5 bilhões como “nota de crédito à exportação” para a Petrobras estava sendo negociado há cerca de cinco meses, mas não mudou o limite de crédito da instituição. “A exposição do BB à Petrobras aumentou, mas nosso limite de crédito não”, destacou ele.

Coelho garantiu que o crédito foi “bastante concorrido”. No total, a Petrobras contratou linhas pré-aprovadas num total de R$ 9,5 bilhões em financiamentos com três bancos nacionais. Além dos R$ 4,5 bilhões com o BB, por meio da subsidiária BR Distribuidora, a estatal tomou R$ 2 bilhões com a Caixa Econômica Federal e R$ 3 bilhões com o Bradesco.

Walter Malieni Júnior, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do BB, lembrou, na coletiva, que esse crédito irá refletir os resultados do segundo trimestre uma vez que foi liberado em meados de abril. Sobre o aumento da exposição do BB no setor de óleo e gás durante o primeiro trimestre, ele explicou que houve impacto da variação cambial bem como em demais setores como mineração, siderurgia e outros.

A exposição do banco ao setor de óleo e gás é de 6,3% considerando a carteira total. Já na pessoa jurídica, essa participação sobre para 9,7% ao final do trimestre, acima do indicador de dezembro, de 7,6%. Em um ano, quando estava em 8,0%, houve aumento de 1,7 ponto porcentual.

Aquisição

Coelho afirmou ainda que o Banco do Brasil não está fechado para avaliar oportunidades de aquisição no País, mas no momento atual está debruçado em crescimento orgânico e na melhoria de sua rentabilidade. “Não descartamos aquisições, mas estamos focados na melhoria da nossa rentabilidade, no controle de despesas”, afirmou ele, ao ser questionado sobre interesse na aquisição do HSBC Brasil.

A venda da unidade, conforme fontes, está sendo assessorada pelo Goldman Sachs. O data room está aberto em Nova York, segundo pessoas com conhecimento no assunto para os interessados.

Crescem os rumores de que os bancos chineses, como o ICBS, estariam bem interessados na aquisição do HSBC Brasil já que comprá-lo representa o passaporte para explorar o mercado de varejo no País. Entretanto, outros estrangeiros e também locais como o Bradesco, Itaú Unibanco e BTG Pactual teriam olhado a operação. As propostas de interesse serão recebidas até o mês que vem.