13/07/2004 - 7:00
Começou a contagem regressiva. A partir do dia 1º de janeiro de 2005, os Estados Unidos vão derrubar suas cotas para importação de roupas e tecidos. Por que os empresários brasileiros deveriam se preocupar com esse fato ainda remoto? Porque ele significa que em menos de 180 dias um mercado de US$ 90 bilhões estará aberto à livre concorrência. Para o Brasil, a queda das cotas pode significar uma grande oportunidade de ampliar as exportações para os EUA. Em 2004, a expectativa é de que a cadeia têxtil brasileira irá vender US$ 500 milhões em produtos para os americanos, o que equivale a quase um quarto das exportações brasileiras do setor. Sem as cotas, segmentos como o de cama, mesa, banho e camisetas poderão até dobrar suas vendas. Tome-se o exemplo de toalhas. Até o final do ano, as vendas brasileiras nos EUA estão limitadas a 50 milhões de peças. De acordo com a Associação da Indústria Têxtil, a partir do ano que vem o Brasil poderá facilmente dobrar as vendas para os EUA. ?É uma grande oportunidade?, resume Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas. A empresa, uma das maiores fabricantes de cama, mesa e banho do País, destina 65% de tudo o que exporta para os EUA, com faturamento de US$ 160 milhões. ?Com certeza vamos vender mais sem as cotas?, diz Josué.
A má notícia para os brasileiros é que, sem barreiras, o mercado americano ficará muito mais competitivo. Espera-se uma verdadeira guerra comercial na qual a
China será a principal protagonista. Com preços supercompetitivos, os chineses devem nadar de braçada no mercado americano. Já há cálculos de que 80% das roupas compradas nos EUA serão feitas por mãos chinesas até 2010. Álvaro Pontes, dono da Starup, olha com apreensão esse movimento. Maior exportador de jeans
do Brasil, Pontes aposta que a boa qualidade de seus produtos será capaz de man-
ter as vendas de 3,5 milhões de calças no EUA ? embora o preço seja quase três vezes o preço chinês. ?A única oportunidade para o Brasil é ter um produto diferenciado?, diz ele. Os varejistas americanos fazem contas drásticas. Eles cal-
culam que dos atuais 70 países fornecedores de calças, apenas 10 continuaram nos EUA. Grandes compradores como o Wall-Mart e JC Penney já começam a negociar com os chineses. Se o Brasil vai entrar para o time dos ganhadores ou dos perdedores, só se saberá depois do Ano Novo.