Os preços do petróleo voltaram a disparar nesta quarta-feira em Londres e Nova York, onde o barril chegou a ser negociado a 100 dólares durante o pregão, pela primeira vez em dois anos e meio, ante a extensão dos protestos na Líbia.

No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (designação de “light sweet crude” negociado nos EUA) para entrega em abril fechou a 98,10 dólares, em alta de 2,68 dólares em relação à terça-feira.

Durante a sessão chegou a alcançar 100,00 dólares, nível que não registrava desde 2 de outubro de 2008.

No IntercontinentalExchange de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em abril terminou em 111,25 dólares, em alta de 5,47 dólares em relação à terça-feira.

“Apesar dos problemas que afetam o Oriente Médio há um mês, é a primeira vez que se vê a produção realmente afetada”, ressaltou Matt Smith, da Summit Energy.

“Isto convoca o mercado à realidade, ou seja, se ocorrerem interrupções de produção (na Líbia), novos problemas em outros países também poderão ter impacto, particularmente no Irã ou na Arábia Saudita, que são produtores muito mais importantes que a Líbia”, acrescentou o analista.

Membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Líbia produz 1,69 milhão de barris diários (mb/d) de petróleo, dos quais exporta 1,49 mb/d, em grande parte à Europa, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

“A Líbia está à beira da guerra civil”, resumiu Mike Fitzpatrick, da Kilduff Report.

“Aparentemente, centenas de corpos jazem nas ruas de Trípoli, a capital, e as cidades do leste do país, a região produtora de petróleo, estão nas mãos dos manifestantes”, disse.

Vários portos estavam fechados nesta quarta-feira no país e a incerteza reinava sobre o nível de exportações de petróleo da Líbia.

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