A base do governo pretende aprovar nova proposta de reforma política  nesta terça-feira, 13, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O  projeto de autoria dos tucanos Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Aécio Neves  (PSDB-MG) cria uma cláusula de barreira para restringir a quantidade de  partidos políticos no Congresso Nacional, além de acabar com coligações  proporcionais até 2022.

A base aliada do governo organizou  uma força-tarefa para garantir apoio ao projeto. Os líderes do PMDB e  PSDB foram orientados a conversar diretamente com cada membro em suas  bancadas para assegurar a aprovação da proposta.

Apesar da  reforma política ser o último item de uma pauta de 36 propostas na CCJ,  já existe articulação para inverter a ordem de votação e antecipar a  matéria. Caso aprovado na CCJ, o projeto seguirá para o plenário do  Senado.

Para entrar em vigor, entretanto, é preciso ainda  que o texto seja aprovado pela Câmara dos Deputados. Lá, a proposta  conta com todo o apoio do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que  em seu primeiro ato à frente da Câmara foi pessoalmente agradecer ao  senador Aécio Neves pelo apoio político à sua campanha e, em seguida,  dar publicidade ao projeto de reforma política assinado pelo tucano.

Diminuição de partidos

O  projeto prevê a aplicação gradual de uma cláusula de barreira que  limita a participação no Congresso Nacional a partidos que alcançarem no  mínimo 3% de votos válidos. Os votos precisariam estar distribuídos em  pelo menos catorze unidades da Federação, com um mínimo de 2% de votos  em cada uma delas. Segundo o texto, a proposta entraria em vigor nas  eleições de 2018, com uma cláusula parcial de 2%, e atingiria 3% nas  eleições de 2022.

Na prática, o projeto enxuga a quantidade  de legendas ativas na política nacional. Atualmente, mais de 30  partidos têm assento no Congresso. Como mostrou o jornal O Estado de S.  Paulo, caso a cláusula de 2% fosse aplicada hoje, esse número cairia  para 16 partidos.

A proposta conta com o apoio do  presidente Michel Temer e de diversos partidos dentro e fora da base do  governo. A PEC foi desenhada com a contribuição de parlamentares do PSB,  PP e DEM. No PT, os senadores também admitem a necessidade de enxugar a  quantidade de partidos políticos, embora se preocupem com legendas  ideológicas pequenas, como PCdoB e PSOL.