Na Bauducco, líder do segmento de torradas, panetones, wafers e bolos, é normal encontrar os donos da empresa de avental ao lado da linha de produção, de olho no que sai dos fornos. Nem por isso deixam outros fronts desprotegidos. Especialmente o de exportações. Como faz no Brasil, a empresa avança sobre as gôndolas mundiais sem se intimidar com concorrentes como Nestlé e Parmalat ? muito menos com as investidas deles para adquirir a Bauducco. Mesmo com a América Latina em crise e o fantasma de recessão americana, o volume de produtos que segue para o exterior cresceu 10% nos primeiros meses do ano. Em 2001, eles garantiram US$ 10 milhões em receitas ou mais de um quarto das exportações brasileiras no setor, segundo a Secretaria de Comércio Exterior.

Os Estados Unidos e o Japão são os principais destinos de 40 itens Bauducco lá fora. E o carro-chefe é mesmo o tradicional panetone, que já é dono de quase 20% do mercado americano, antes dominado por marcas italianas. O sucesso é tanto que a Sun-Maid, líder em vendas de uvas passas nas terras do Tio Sam, fechou uma parceria com a Bauducco e agora vincula sua marca aos produtos vendidos por lá. No Natal passado, ela incluiu minipanetones como brinde para os consumidores. ?A idéia começa a ser copiada aqui?, diz Paulo Cardamone, gerente de marketing da companhia. ?Inesperadamente, operadoras de telefonia, bancos e outras empresas começaram a perguntar sobre parcerias para o próximo Natal.? É cedo para saber se fecharão negócio, mas Cardamone garante que este ano os panetones não serão apenas presente de Natal para funcionários. ?Eles devem ser usados em campanhas de vendas e fidelização de clientes?, afirma. Ou seja, é mais uma frente de batalha para os donos da Bauducco se protegerem das multinacionais.