O Bradesco BBI elevou de 6,5% para 8% sua premissa de juros reais de longo prazo após o resultado das eleições e revisou os preços-alvo de empresas de energia elétrica e saneamento para o fim de 2027. Apesar dos ajustes nos modelos, as recomendações foram mantidas.

A mudança aumenta as taxas de desconto utilizadas nas avaliações. O impacto vai de 100 pontos-base para transmissoras a 300 pontos-base para companhias mais alavancadas ou com desafios operacionais.

Os analistas Francisco Navarrete, João Fagundes e Matheus Caruso destacam Eneva, Axia Energia, Sabesp e Copel como empresas mais bem posicionadas para esse ambiente.

Preços-alvo e recomendações do Bradesco BBI

A Axia Energia apresenta o maior potencial de valorização entre as empresas citadas, mesmo após uma pequena redução no preço-alvo. A Eneva teve sua estimativa elevada.

Empresa e códigoRecomendaçãoAlvo anteriorNovo alvoPotencial informado
Axia Energia (AXIA3)CompraR$ 79R$ 78+34,5%
Copasa (CSMG3)CompraR$ 78R$ 78+20,8%
Eneva (ENEV3)CompraR$ 32R$ 37+17,5%
Copel (CPLE3)CompraR$ 19R$ 19+9,6%
Sabesp (SBSP3)CompraR$ 40R$ 35+9,4%
Equatorial (EQTL3)CompraR$ 57R$ 51+4,3%
Cemig (CMIG4)NeutraR$ 13R$ 13+11,4%
Isa Energia (ISAE4)NeutraR$ 34R$ 29+2,4%
Auren (AURE3)NeutraR$ 17R$ 15+1,6%
Alupar (ALUP11)NeutraR$ 40R$ 37−4,3%
CPFL Energia (CPFE3)NeutraR$ 51R$ 45−9,6%
Taesa (TAEE11)Abaixo da média do mercadoR$ 39R$ 35−21,8%

Os potenciais correspondem aos valores informados no estudo, considerando seus preços de referência.

Eneva e Axia se destacam pela duração dos fluxos de caixa

O BBI atribui parte da preferência por Eneva e Axia à menor duração dos fluxos de caixa, característica que favorece suas avaliações em um cenário de juros reais elevados.

A duração estimada é de 6,8 anos para a Eneva e 5,6 anos para a Axia.

Na Sabesp, o banco destaca a estrutura regulatória paulista, que incorpora anualmente os investimentos realizados às tarifas. Esse mecanismo sustenta o crescimento do fluxo de caixa e reduz sua dependência das condições macroeconômicas.

A Copel conta com uma concessão de distribuição considerada de alta qualidade, cuja próxima revisão tarifária está prevista para daqui a cinco anos. O banco aponta oportunidades associadas ao leilão de reserva de capacidade de março e a projetos que poderão disputar futuras licitações.

Distribuidoras têm projeções de vendas elevadas

O BBI passou a considerar maiores volumes de vendas de eletricidade no quarto trimestre de 2026 e no primeiro trimestre de 2027.

A revisão reflete a expectativa de temperaturas mais altas associadas ao El Niño, com possível aumento da demanda por energia.

O banco recalibrou premissas para as revisões tarifárias de 2028. Para empresas mais eficientes, elevou de 15% para 20% o potencial de desempenho superior ao parâmetro regulatório de despesas operacionais.

A avaliação contempla a Copel e algumas subsidiárias da Energisa e da Equatorial. Houve pequenos ajustes nas premissas de Pd e fator X.

O WACC regulatório de longo prazo considerado nos modelos subiu de 7,8% para aproximadamente 8,3%, acompanhando a nova premissa de juros reais.

Projeções de preços de energia recuam para geradoras

As condições hidrológicas favoráveis levaram o BBI a reduzir as estimativas de preços de energia no mercado de curto prazo.

Para o quarto trimestre de 2026, a projeção caiu de R$ 160 para R$ 118 por megawatt-hora (MWh). Para 2027, passou de R$ 227 para R$ 182/MWh, abaixo da curva de preços futuros de R$ 235/MWh.

A estimativa de longo prazo foi mantida em R$ 225/MWh. Os valores são líquidos de impostos sobre vendas.

Juros reais maiores reduzem atratividade relativa das ações

O banco considera que uma alta do rendimento das NTN-B de dez anos, de 6,8% para cerca de 8%, estreitaria os prêmios de risco implícitos nas ações do setor.

Nesse cenário, a diferença de retorno exigida para investir nas empresas em relação aos títulos públicos ficaria menor. A trajetória dos juros reais permanece central para as avaliações, mesmo com as recomendações mantidas.

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