03/02/2026 - 9:24
O Banco Central (BC) afirmou que o atual cenário econômico “impõe serenidade” para a decisão do tamanho e da velocidade do ciclo de corte de juros planejado para iniciar no mês de março. A informação consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 3.
+Copom mantém taxa Selic em 15%, mas prevê ‘flexibilização’
“O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, diz a ata.
O Copom afirma ainda que o ritmo e a magnitude dos cortes “dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
Após confirmar a manutenção da Selic em 15% ao ano na última semana, a autoridade monetária sinalizou o início de uma flexibilização monetária para março. Contudo, o órgão deixou claro que o rigor não será abandonado imediatamente, reforçando o compromisso com uma política restritiva o suficiente para convergir a inflação ao alvo de 3%.
Inflação persistente
No documento, o órgão destaca que a inflação apresentou arrefecimento, porém ainda permanece acima da meta. No último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 2, a expectativa apontada para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo ao final do ano foi de 3,99%. O centro da meta perseguido é de 3% acumulada em doze meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos.
Após estourar a meta na metade do ano passado, a inflação arrefeceu e fechou 2025 em 4,36%, dentro da margem de tolerância. Segundo o BC, “perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento”.
Entre os fatores analisados no cenário estão a “conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais”; a resiliência do mercado de trabalho e a política fiscal.
Qual será a próxima decisão do BC?
Enquanto o Copom sinaliza indefinição, o mercado financeiro também se divide sobre o tamanho do corte de juros esperado para março. As apostam dividem-se majoritariamente entre 0,25 p.p. e 0,5 p.p.
Na avaliação da Warren Investimentos, “o uso da expressão ‘serenidade’ tem como objetivo principal conter o entusiasmo do mercado”. A gestora aposta em um corte de 0,5 p.p. “Na ausência dessa sinalização, a precificação da curva de juros tenderia a apontar para um ritmo de cortes muito mais acelerado do que aquele que o Copom está disposto a entregar neste momento”, diz.
A Ativa Investimentos, por exemplo, aponta que “o BC irá adotar uma ação cautelosa, cortando a Selic, a priori, em 0,25 p.p. na próxima reunião, a fim de reunir maiores informações sobre o sucesso da restrição de juros”.
Já a economista chefe do Inter, Rafaela Vitoria, também aposta em 0,5 p.p. “Uma aceleração no ritmo de cortes poderia ocorrer caso a atividade econômica apresente desaceleração mais intensa e/ou o câmbio siga em trajetória de apreciação”, diz.
