O chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Renato Baldini, avaliou nesta quinta-feira, 26, que o superávit de US$ 434 milhões nas transações correntes em setembro repete o equilíbrio nessa conta que também ocorreu em agosto deste ano. “Mesmo pequeno, esse saldo positivo é o melhor resultado para meses de setembro desde 2017. No acumulado do ano, o déficit de US$ 2,706 bilhões também é o menor para o período desde 2007”, afirmou.

Considerando os últimos 12 meses até setembro, o déficit de US$ 12,646 bilhões é o menor em 12 meses desde março de 2008. “Tivemos uma boa redução no déficit acumulado em 2017 ante 2016, e a tendência é que continuemos a ter redução no déficit acumulado em 12 meses”, completou.

Para outubro, a previsão é de que o déficit seja de US$ 1 bilhão.

Segundo Baldini, há ainda a expectativa de que as projeções do BC para os déficits em transações correntes para 2017 (US$ 16 bilhões) e de 2018 (US$ 30 bilhões) sejam revisadas para menos pela autoridade monetária.

Viagens internacionais

O chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do Banco Central avaliou ainda que o déficit de US$ 24,335 bilhões na conta de serviços no acumulado do ano até setembro foi puxado pelas viagens internacionais. O saldo negativo em viagens passou de US$ 5,814 bilhões nos primeiros nove meses de 2016 para US$ 9,785 bilhões neste ano.

“As viagens reagem à melhora da renda, mas também ao câmbio. A taxa de câmbio neste ano até setembro está cerca 9% apreciada em relação à média de 2016 como um todo”, afirmou. “Em janeiro do ano passado o dólar ainda estava acima de R$ 4,00, por exemplo. Isso justifica o gasto com viagens maior neste ano”, completou.

Segundo ele, a recuperação gradual da atividade econômica também deve influenciar essa conta no futuro, enquanto a taxa de câmbio deve permanecer mais estável neste ano. “O efeito sobre a conta de viagens deve ser também gradual”, acrescentou.