21/08/2026 - 16:21
Comunicado de rotina do Departamento de Operações do Mercado Aberto atualiza os parâmetros para o período de 20 de agosto a 20 de setembro. Veja como os números afetam a correção do FGTS, os financiamentos da casa própria e o rendimento da caderneta.
O Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), do Banco Central do Brasil, divulgou na tarde desta sexta-feira (21) os valores apurados da Taxa Básica Financeira (TBF), do Redutor “R” e da Taxa Referencial (TR) para o período de 20 de agosto a 20 de setembro de 2026.
A publicação, assinada pelo chefe do Demab, Andre de Oliveira Amante, cumpre a rotina operacional estabelecida pela Resolução CMN nº 4.624, de 18 de janeiro de 2018. Embora seja uma atualização técnica periódica do mercado aberto, os índices divulgados servem como parâmetro oficial para a atualização monetária do FGTS, da caderneta de poupança e da maior parte dos contratos de financiamento habitacional do País.
Indicadores Oficiais Divulgados pelo Demab (Período: 20/08/2026 a 20/09/2026)
Taxa Básica Financeira (TBF): Apurada em 0,9960% (nove mil, novecentos e sessenta décimos de milésimo por cento). A taxa reflete o custo médio de captação de recursos no mercado financeiro interfinanceiro e serve de base para o cálculo da TR.
Redutor “R”: Fixado em 1,00825635 (um inteiro e oitocentos e vinte e cinco mil, seiscentos e trinta e cinco centésimos de milionésimos). É o fator atenuante aplicado sobre a TBF na fórmula matemática definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Taxa Referencial (TR): Resultante da aplicação do Redutor sobre a TBF, ficou em 0,1690% (mil, seiscentos e noventa décimos de milésimo por cento). É o índice efetivo de atualização monetária no período.
1. Como funciona o cálculo da TR
A Taxa Referencial não é uma taxa definida por decisão discricionária de política monetária (como a taxa Selic), mas sim o resultado de uma fórmula matemática estipulada em regra.
A TBF mensura o custo médio das negociações com títulos no mercado. Em seguida, aplica-se o Redutor “R” para suavizar esse percentual. Quando a Selic está em patamares mais elevados no mercado, o cálculo resulta em uma TR positiva (como os $0,1690\%$ apurados no período); caso os juros básicos caiam para patamares muito baixos, a fórmula automaticamente zera o índice para evitar distorções operacionais.
2. Os impactos no bolso: o que a TR significa na prática
Para ilustrar o efeito dos números divulgados, a IstoÉ Dinheiro detalha o impacto estimado do índice de $0,1690\%$ nos principais produtos atrelados à TR:
Caderneta de Poupança: Sob a regra vigente (aplicada quando a taxa Selic se encontra acima de $8,5\%$ ao ano), a poupança rende $0,5\%$ ao mês acrescida da TR. Com o índice atual, a rentabilidade da caderneta para as contas que fizerem aniversário no período de vigência da nota ficará em aproximadamente 0,67% no mês.
FGTS: A correção das contas vinculadas do Fundo de Garantia é determinada por lei em $3\%$ ao ano mais a TR. O valor divulgado assegura a continuidade da atualização monetária mensal sobre o saldo dos trabalhadores.
Crédito Imobiliário: Os contratos de financiamento habitacional atrelados ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH) utilizam a modalidade de juros contratualmente fixos mais a variação da TR. A taxa de $0,1690\%$ será aplicada sobre o saldo devedor das parcelas vincendas do mês. Exemplo didático: em um saldo devedor hipotético de R$ 500 mil, a atualização monetária bruta do período corresponde a R$ 845 antes do abatimento da amortização mensal.
O Veredito da Dinheiro
O comunicado do BC representa a aplicação estrita do rito operacional do mercado aberto. Não há alterações de regras ou surpresas regulatórias no informe assinado pelo Demab.
Trata-se de uma informação técnica fundamental para o acompanhamento financeiro: enquanto para o poupador a TR positiva garante a recomposição monetária da caderneta, para o tomador de crédito imobiliário ela reforça a necessidade de considerar o efeito acumulado do indexador ao longo do contrato.
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