25/06/2026 - 10:34
O Banco Central elevou sua projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2026 de 1,6% para 2,0% estimado em março, conforme Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira, 25, e apontou que a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, citando também medidas de estímulo do governo.
+ Prévia da inflação de junho fica abaixo do esperado, mas taxa em 12 meses acelera para 4,80%
“A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi revisada de 1,6% para 2,0% principalmente pela surpresa positiva no resultado do primeiro trimestre e pela melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa”, disse no documento.
A autarquia disse que a revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, “em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia”.
Em um ano no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá tentar a reeleição, o governo anunciou uma série de medidas de estímulo à atividade nos últimos meses, principalmente na área de crédito, com linhas subsidiadas para caminhões, ônibus e veículos usados em aplicativos de transporte, além de uma nova etapa do Desenrola, programa de refinanciamento de dívidas com descontos.
Ao comunicar sua decisão de juros da semana passada, o BC já havia feito alerta sobre o tema ao incluir entre os fatores que poderão pressionar a inflação para cima “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo”.
A nova previsão do BC para o Produto Interno Bruto (PIB) é menos otimista do que a apontada pelo governo, mas alinhada às estimativas de mercado. O Ministério da Fazenda previu em maio uma expansão de 2,3% para o PIB de 2026. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,98% neste ano.
Pressão inflacionária
Em relação ao comportamento da inflação, o BC disse que todos os segmentos do IPCA apresentaram variação elevada nos últimos três meses, com destaque para as altas em alimentação no domicílio e preços administrados, responsáveis pela surpresa no período.
“Além disso, a inflação de serviços seguiu pressionada e os preços de bens industriais voltaram a subir mais fortemente”, afirmou.
Para o BC, a inflação mais alta no trimestre também decorre do conflito no Oriente Médio, com impacto em especial no preço de combustíveis.
No cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros, a autarquia projetou que a inflação seguirá em alta no segundo, terceiro e quarto trimestres deste ano, fechando 2026 em 5,2%, depois cairá gradualmente até 3,7% no fim de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, chegando a 3,1% no fim de 2028, último período analisado.
Na avaliação do BC, a probabilidade de a inflação superar o teto da meta de 3% –que tem tolerância de 1,5 ponto percentual– é de 79%, bem acima dos 30% previstos em março. Para 2027, a chance subiu de 19% para 28%.
A autoridade monetária cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao argumentar que avalia trajetórias de juros “alternativas” para atingir a meta de inflação em um horizonte um pouco mais distante.
