O Banco Central Europeu (BCE) se mostrou nesta quinta-feira um pouco mais otimista sobre o crescimento na zona do euro em 2014 e reduziu sua previsão de inflação para este ano, além de manter inalterada em 0,25% sua principal taxa. O BCE elevou sua previsão de crescimento para a zona do euro em 2014 a 1,2%, contra 1,1% projetado em dezembro. Além disso, manteve sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da região para 2015 em 1,5%, e previu 1,8% para 2016, em uma primeira estimativa. Por outro lado, o banco central reduziu de 1,1% a 1% sua previsão de inflação para 2014 na zona do euro, e manteve a de 2015 em 1,3%. As projeções do BCE são muito esperadas, já que desempenham um papel determinante na avaliação que os presidentes de bancos centrais fazem das perspectivas na zona do euro, que é crucial na hora de tomar decisões de política monetária. O desemprego se estabilizou na região e “uma certa melhora da demanda interna e externa deve se materializar e impulsionar uma melhora da atividade” afirmou Mario Draghi, presidente do BCE, em coletiva de imprensa após uma reunião do conselho de diretores da instituição. Em relação aos efeitos que a crise da Ucrânia possa ter na economia de outros países do continente, Draghi admitiu: “Não temos informação suficiente para fazer uma estimativa do estado atual das coisas”. Contudo, reconheceu que as tensões entre a Rússia e Ucrânia podem gerar “situações imprevisíveis”. Nesta reunião do conselho, ficou decidido manter a principal taxa do BCE em seu nível historicamente baixo de 0,25%, no qual se encontra desde o mês de novembro. Esta decisão era amplamente esperada pelos analistas, após a inflação ter se estabilizado em fevereiro na zona euro e consolidado o crescimento da região. Contudo, com 0,8% ao ano de inflação em fevereiro, a alta dos preços continua estando muito abaixo do objetivo do BCE de mantê-la em torno de 2%. Em relação ao crescimento, o PIB da zona subiu 0,3% no último trimestre de 2013, e os últimos indicadores sugerem uma tendência de melhora. Contudo, além de manter sua principal taxa de juros inalterada, o BCE não considerou nenhuma outra medida excepcional, como alguns esperavam, para fazer frente ao risco de deflação. “O BCE aposta em um retorno do crescimento para manter a inflação e os fluxos de crédito”, segundo Alexandre Baradez, analista da IG France. “Alguns operadores esperavam que o BCE desse a entender que ia implantar uma forma de estímulo monetário nos próximos meses”, mas “não foi o caso e não será em um futuro próximo”, comentou Craig Erlam, analista de Alpari UK. oaa/me/pc/mv