A cirurgia plástica extrapolou os salões da alta sociedade e conquistou os balcões das instituições financeiras voltados para as classes B e C. Lipoaspiração na barriga, eliminação de rugas e redução de culote, entre outros mimos para a vaidade, estão agora ao alcance de qualquer um que possa arcar com o pagamento em até 12 suaves prestações mensais. Nas agências da estatal Nossa Caixa, de São Paulo, o financiamento para este tipo de intervenção é a mais nova vedete da carteira de produtos. Pegar dinheiro emprestado para fazer uma plástica é até mais barato do que levantar um financiamento comum. O banco cobra de 3,4% a 4,8% de juros ao mês, contra taxas meio ponto percentual mais altas nos empréstimos pessoais. A linha de crédito foi testada por um ano e a prática confirmou o que os executivos da instituição já suspeitavam na teoria: o risco nesses financiamentos é baixo para o banco, porque os candidatos em geral se preparam com antecedência para esse tipo de operação, tanto psicologicamente quanto financeiramente.

A linha, batizada Cred Saúde, mal foi lançada oficialmente e já soma uma carteira de R$ 1,5 milhão. Isso apesar de todo crédito só ser liberado para quem apresenta prescrição médica e orçamento da operação. A linha atende também candidatos a empréstimos para variedades como tratamentos de acupuntura, internações em spas, desintoxicação de viciados e até tratamento para os dentes, entre outros. O caminho aberto pela Nossa Caixa chamou a atenção do mercado para o novo nicho. A financeira Losango vai entrar no jogo já no primeiro trimestre de 2002. Sua especialidade vai ser só a de cirurgias de correção estética, como colocação de silicone e implantes de cabelo. ?Muita gente recorre à lipoescultura porque acha que dessa forma pode obter bons empregos?, diz Leandro Vilain, diretor de novos negócios da financeira.