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Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, manteve investimentos na usina de aços longos, forte mercado para a rival Arcelor

Benjamin Baptista, presidente da área de aços planos da Arcelor, comandou expansão da linha de galvanizados, mercado da CSN

 

As siderúrgicas no País sempre atuaram de forma um tanto quanto pitoresca. É raro alguma tirar um grande cliente da outra. Basta ver a concentração dos mercados. Seis entre cada dez automóveis nas ruas hoje possuem aço da Usiminas e quase metade das geladeiras comercializadas tem insumos vendidos pela CSN. De uns tempos para cá, essa reserva de mercado tem cedido às pressões geradas pela crise.

Um bom exemplo acaba de vir da ArcelorMittal Tubarão, braço do maior grupo siderúrgico do mundo. A empresa está prestes a entrar mais pesadamente na seara da CSN, por meio de um novo projeto localizado na planta Vega do Sul, em São Francisco do Sul (SC). A companhia começou a expandir a linha de aços galvanizados, insumo revestido de zinco e que chega a custar até 15% acima da média. Com o investimento (cerca de US$ 130 milhões), a produção local vai atingir 850 mil toneladas ao ano.

O projeto aumenta em 70% a capacidade da Arcelor no segmento. Será o grande passo para a companhia tentar competir em pé de igualdade com a CSN nas áreas de construção civil e eletrodomésticos. “Estamos a pleno vapor. Acreditamos que até março ou abril de 2010 estará tudo funcionando. Vamos entrar firme na concorrência com a CSN”, avisa Benjamin Baptista Filho, presidente da divisão de aços planos da empresa.

Outra decisão da companhia segue mais a linha defensiva em relação à rival, comandada por seu xará, o empresário Benjamin Steinbruch. Neste mês, começa a funcionar o segundo forno de laminados a quente da Arcelor na planta de Vitória (ES), matériaprima amplamente utilizada em embalagens e na construção civil. A capacidade de produção vai passar de 2,8 milhões de toneladas anuais para quatro milhões ao ano. Isso lhe dará a chance de se descolar da CSN, com quem divide a liderança desse segmento, cada uma com pouco mais de 30% de participação de mercado.

 

Expectativa de queda de até 20% na produção das siderúrgicas neste ano fez empresas rever projetos e passar a focar operações para atender o mercado interno

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A necessidade de as empresas ganharem espaço em mercados pouco explorados, ou até inexistentes para elas, cresceu de três anos para cá. A Gerdau entrou no segmento de aços especiais nos EUA em 2007.

Desde o ano passado, a Usiminas está declaradamente mais interessada no segmento de construção civil (ela quer criar novos produtos para casas populares), dominado pela Gerdau. E a CSN inaugura no início de 2010 a sua linha para aços longos, segmento dominado pela Arcelor e Gerdau.

Com a forte retração na demanda global, esses projetos acabaram se tornando prioridade. Operações mais diversificadas tendem a sentir menos o impacto das crises. Se a venda para as indústrias de construção despenca, ela pode ser compensada pela expansão na demanda das montadoras. Esse movimento migratório generalizado não é simples. “A dificuldade dessas empresas está em se estabelecer nos novos nichos.

Clientes reclamam de preços da siderúrgica, batem o pé, mas são muito fiéis à sua fornecedora. Ninguém troca de parceiro do dia para a noite”, diz Alexandre Galloti, analista da Tendências. Além disso, clientes viraram artigo raro entre as siderúrgicas. Analistas estimam queda de 18% nas vendas do setor no País em 2009. Segundo consultorias como Tendências e SLW, a produção cairá no mínimo 20%, pressionada pela desaceleração na construção civil e por uma eventual perda de fôlego das montadoras no segundo semestre.

Baptista, da Arcelor, começa a vislumbrar sinais de melhora. “Eu vi o fundo do poço. Agora, estamos saindo dele”, brinca ele, que assumiu a presidência há apenas três meses. O alto-forno número dois, que seria reformado em 2010, foi desligado antecipadamente em dezembro, aproveitando o momento de retração. Cem funcionários que faziam a manutenção do equipamento foram transferidos para a área de reforma.

“Com isso, não precisamos contratar pessoal para fazer o serviço”, diz Baptista. A empresa ainda cortou a produção em 35%. As vagas de 300 funcionários que deixaram a companhia por iniciativa própria não foram preenchidas. Os gastos com equipes de terceirização, responsáveis por segurança e limpeza, por exemplo, foram reduzidos. A ArcelorMittal precisa reduzir US$ 1 bilhão em despesas no mundo. Maior siderúrgica do mundo, suas vendas globais somam US$ 125 bilhões – maior que o faturamento da Petrobras.

O lucro do grupo equivale a dois terços da receita total da Vale. Por isso, quando foi preciso frear a empresa, o mercado se assustou. “Estávamos num transatlântico navegando a 20 nós por hora. Não deu para frear de uma hora para outra. Mas aquele que freia mais rápido retoma mais rapidamente também”, diz Baptista. “Fomos os primeiros a anunciar os ajustes e, agora, somos os primeiros a retomar o ritmo.”

Prova disso, segundo a empresa, é o aumento na produção de laminados a quente, assim como a nova linha de galvanizados. Ambos os planos foram desenhados em 2007 e esse segundo estava em banho-maria desde o final de 2008. O equilíbrio alcançado no estoque de insumos também seria sinal de uma virada de página, avalia o grupo. Em abril, esse volume atingiu o equilíbrio.

 

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Em carvão importado, por exemplo, o estoque na companhia chegou a 90 dias, sendo que o período não deveria passar de 45 dias. Uma nova estimativa do grupo é outro indicador positivo. Até abril, a ArcelorMittal Tubarão trabalhava com previsão de produção de 5,5 milhões de toneladas de aço em 2009.

O novo número agora é de seis milhões de toneladas. A expectativa de recuperação do setor de construção no segundo semestre, assim como a expansão de projetos de infraestrutura local, comandados pelo governo, podem dar novo fôlego a curto prazo.

Outro novo dado colhido pelos especialistas é alentador. “As vendas mensais das siderúrgicas ao mercado interno, que chegaram a menos de um milhão de toneladas entre dezembro e fevereiro, totalizaram 1,3 milhão de toneladas em maio. É distante dos dois milhões mensais em 2008, mas já é algo a ser comemorado”, diz Alexandre Galloti, analista da Tendências.