Ser conhecida além das fronteiras asiáticas. Foi pensando nisso que a empresa taiwanesa BenQ decidiu, em junho de 2005, assumir a divisão de telefones celulares da Siemens ? e livrar a gigante alemã de amargos prejuízos nesse mercado. Mas, apenas na semana passada, ao som de tambores taiwaneses numa fria manhã de inverno na Alemanha, país que abrigará a sede da nova empresa, a estratégia de negócios foi revelada e mostraram-se alguns dos planos da nova companhia, inclusive para o Brasil. A primeira mudança será a transferência da sede administrativa brasileira para o prédio do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A fábrica da Siemens, instalada em Manaus, continuará a todo vapor. Há, no entanto, um entrave à produção nacional já que os componentes importados têm dificuldade em entrar no País. A BenQ afirma que, em razão desse limitador, a empresa não tem cumprido prazos de entrega. Clemens Joos, executivo alemão deslocado da Siemens para a presidência da nova companhia, chegou a dizer que esses atrasos poderiam comprometer investimentos no País, embora o Brasil esteja entre as cinco operações mais importantes da empresa. Com exportação de R$ 1 bilhão no ano passado, Manaus era a única fábrica lucrativa da Siemens. De lá saem os aparelhos para a América Latina, que tem o melhor potencial de crescimento da marca BenQ-Siemens. No Brasil, como no resto do mundo, os funcionários (em torno de mil) foram mantidos.

Durante a apresentação em Berlim, foram exibidos três modelos de celulares, com mudanças claramente identificáveis: nos últimos quatro anos, a BenQ ganhou 150 prêmios de design. ?Juntaremos a tecnologia e credibilidade Siemens com o dinamismo e o espírito inovador da BenQ?, disse Jarry Wang, vice-presidente da nova empresa. Ao contrário do que vinha acontecendo, agora os telefones da marca terão mais recursos e serão mais caros. Faz parte dos planos da empresa taiwanesa levar a outras partes do mundo os demais eletrônicos da marca, como televisores de plasma, DVDs e máquinas fotográficas. Mesmo desconhecida no Ocidente, a BenQ tem 60% de sua receita gerada por produtos de marca própria. ?Queremos que esse número chegue a 70% ainda no final de 2006?, afirmou Joos.

1 bilhão foi o valor das exportações da fábrica brasileira em 2005