A espanhola Telefônica está decidida a ser dona de um conglomerado de comunicação, com rede de televisão e rádio, no Brasil. Quem sabe até tornar-se a grande rival da poderosa Rede Globo. Nos últimos meses, os executivos da empresa têm voado de Madri para São Paulo e Rio para reuniões com diretores das maiores emissoras do País. Os alvos prioritários dão mostras da ambição dos ibéricos: o SBT de Sílvio Santos e a TVA, vice-líder no setor de televisão por assinatura. ?Estamos em fase exploratória. Nossa estratégia é ter o controle majoritário de veículos de comunicação no Brasil?, revelou a DINHEIRO um alto executivo da Telefônica Media, braço do grupo responsável pelo projeto. ?As conversas com o grupo de Sílvio Santos estão indo bem, começaram há quatro meses e temos tido boa receptividade. Sobre a TVA, o cenário é ainda mais positivo.?

A ordem, na Espanha, é acelerar o plano de construir um império de telefonia, Internet, redes de tevê aberta e por assinatura e de rádio, algo à altura da ousada aquisição do provedor americano Lycos pelo Terra, o portal do grupo, agora o quinto maior do mundo. O modelo já foi implantado na Argentina. Lá, a companhia já era dona da maior operadora de telefonia e é uma das líderes no mercado de Internet com o Terra. Há 15 dias, a Telefônica Media tomou posse, em Buenos Aires, das populares emissoras Telefe e Canal Azul, em negócio avaliado em US$ 1,2 bilhão. No Brasil, onde a empresa atua em telefonia e Internet, a situação é mais complexa. Os planos para o setor de comunicação são ambiciosos, mas estão ainda limitados pela legislação brasileira, que não permite a presença de estrangeiros em emissoras de canal aberto. Projeto que muda esta situação tramita há dois anos no Congresso, sem data para votação. ?Se não for possível ter o controle acionário, numa fase inicial seremos gestores do conteúdo, da programação?, diz o graduado executivo.

As expedições espanholas às sedes dos principais grupos brasileiros de comunicação têm sido freqüentes. Diretores da Telefônica têm conversado longamente com os executivos do SBT, e estiveram até na Rede Globo. O vice-presidente do SBT, José Roberto Maluf, confirmou a DINHEIRO ter recebido em São Paulo o vice-presidente da Telefônica Media, Antônio Barreto, mas rechaçou qualquer possibilidade de Sílvio Santos entregar, um dia, o controle acionário aos espanhóis. ?Antônio Barreto nos fez uma visita, mas nós buscamos parceiros apenas para a área de conteúdo e programação?, reforçou ele. ?O controle do SBT sempre ficará com Sílvio Santos.?

Da Gran Via, sede da Telefônica em Madri, a única proposta firme mesmo partiu endereçada à cúpula da TVA. No Grupo Abril, ninguém comenta o assédio dos espanhóis. A intenção da Telefônica Media, assim como a de outras empresas interessadas em associação com a TVA, estão sendo avaliadas pelos analistas do banco americano Goldman Sachs, de Nova York, contratado pela Abril para analisar futuras parcerias. A melhor oferta será escolhida nas próximas semanas. A programação de tevê poderá estar no Terra e os cabos da tevê por assinatura serão usados na Internet. Tudo isso estará conectado pela rede de cabos submarinos, que vai margear a região e ligá-la aos EUA, a ser instalada a partir de agosto, a um custo de US$ 1,7 bilhão. Um colosso digno dos sonhos de Juan Villalonga, 47 anos, o chairman da Telefônica.

Foto: Gustavo Lourenção

APLAUSOS DO MINISTRO: Pimenta da Veiga (quarto à dir.) na entrega simbólica de três milhões de linhas

A Telefônica já investiu no Brasil, de 1998 até agora, US$ 8 bilhões ? considerando a América Latina, o total é de US$ 14 bilhões. A companhia desembarcou por aqui em busca do precioso mercado de telefonia. Sob o comando do presidente Fernando Xavier Ferreira já é o maior grupo de telecomunicações do País, com faturamento de R$ 11,8 bilhões no ano passado. Suas empresas, a Telefônica São Paulo, Tele Sudeste Celular (RJ e ES) e a CRT Celular, devem investir R$ 4 bilhões neste ano. ?O Brasil é nossa prioridade número 1, 2 e 3?, reforça o presidente internacional da Telefônica, o português António Viana Baptista, de 42 anos. ?A empresa tem mostrado, nos anos bons e nos ruins, que está realmente interessada em investir no País.?