13/06/2007 - 7:00

STATON: o empresário não assumiu operações de cinco países do continente
Há cerca de um mês, o empresário Woods Staton, um colombiano radicado na Argentina, desembarcou no Brasil para anunciar a compra das operações latinoamericanas do McDonald?s. Em entrevistas para a imprensa, reuniões com franqueados e encontros com fornecedores, Staton, simpático e sorridente, falou dos planos para a empresa daqui para a frente. O que Staton não comentou é que o preço anunciado para a aquisição, cerca de US$ 700 milhões, pode ser outro no fechamento definitivo do negócio, previsto para as próximas semanas. A informação não poderia ser mais oficial. Basta ler o relatório trimestral enviado pelo McDonald?s para a SEC, a xerife do mercado de capitais americano. Lá, com todas as letras, a corporação relaciona pontos referentes a eventuais contingências que podem ter efeitos no fechamento do negócio. Entre elas aparecem questões regulatórias, tributárias, trabalhistas, com franqueadores, etc. Há três hipóteses para limpar a casa. Primeira: Staton ganha um desconto no preço acertado com a rede de fast-food. Segunda: o McDonald?s assume passivos que sejam descobertos. Terceira: a venda não se concretiza. A probabilidade desta última encontra-se próxima do zero, segundo quem acompanha de perto o assunto. A mais provável seria a primeira.
De qualquer forma, haverá um impacto no balanço da companhia, e os investidores podem não gostar. Procurado, o McDonald?s respondeu que ?fez as apropriadas declarações a respeito desta transação? no documento encaminhado à SEC. Nele, a companhia prevê que no balancete do segundo trimestre deste ano lançará uma perda de cerca de US$ 1,6 bilhão em função da venda dos negócios latino-americanos. Qual a origem desse prejuízo? Uma parte dessa dinheirama, US$ 800 milhões, refere-se à ?retirada? dos ativos (imóveis, equipamentos, etc) do balanço da companhia, já deduzido o valor pago por Staton. O restante, US$ 825 milhões, será a ?baixa nos livros? de prejuízos acumulados nos últimos anos. Quanto menor o preço, maior a perda a ser registrada no balanço. O próprio McDonald?s tomou cuidado na hora de falar sobre o assunto. No relatório, em vez de escrever que receberá, utilizou a expressão ?espera receber aproximadamente US$ 700 milhões?. A operação latinoamericana sempre foi problemática para a rainha dos hambúrgueres. Tanto que cinco países da região ficaram de fora da transação com Staton: Paraguai, Honduras, El Salvador, Guatemala e Nicarágua. O motivo para essa exclusão seria, segundo fontes próximas à empresa, as dificuldades encontradas nesses mercados.
Ao longo do processo de compra, Staton e outros atores do negócio fizeram uma descoberta curiosa: a filial brasileira do McDonald?s pertencia, formalmente, à subsidiária espanhola da companhia e não diretamente à corporação americana. A transferência para os espanhóis foi feita sem nenhum alarde. A empresa no Brasil não comenta o assunto e afirma desconhecer os motivos dessa alteração societária. A razão, segundo especialistas, seria um benefício fiscal previsto pela Worthless Stock Deduction, legislação americana que permite dedução no Imposto de Renda do patrimônio negativo registrado em determinada operação. A melhor forma de otimizar essa vantagem seria colocar a filial brasileira debaixo do McDonald?s da Espanha. O ganho fiscal obtido teria batido na casa dos US$ 300 milhões.