11/01/2026 - 10:30
Juan Carlos Escotet ocupa hoje uma posição singular no cenário econômico da América Latina: o de único bilionário da Venezuela.
+Lewandowski entrega carta de demissão a Lula e deixará ministério na sexta
+Concorrer com a China é como jogar futebol em um campo inclinado, diz CEO da Ford
Em um momento em que a Venezuela segue fora do circuito global de grandes fortunas por conta dos problemas econômicos gerados pelo chavismo, o banqueiro é o único representante do país no ranking de bilionários da Forbes. E sua trajetória de negócios foi construída fora do eixo do petróleo.
Segundo a Forbes, Escotet reúne atualmente uma fortuna de US$ 11,2 bilhões, o que o coloca na posição 264 do ranking global de bilionários.
A cifra cresceu de forma relevante nos últimos anos, em paralelo à expansão de seus negócios bancários fora do país.
Enquanto a economia venezuelana enfrenta inflação elevada, sanções externas e retração do consumo, a base patrimonial do empresário está cada vez mais concentrada em operações no exterior, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.
Nascido em Madri, Escotet é filho de espanhóis que migraram para a Venezuela ainda durante sua infância. Foi no país sul-americano que ele iniciou a vida profissional.
Aos 17 anos, trabalhava como mensageiro no Banco Unión, enquanto cursava economia. A experiência no setor financeiro abriu caminho para o primeiro empreendimento próprio: em 1986, fundou uma corretora. Poucos anos depois, passou a incorporar serviços bancários, até que, em 2001, seu banco se fundiu justamente com o Banco Unión, onde havia começado a carreira.
Da Venezuela à Europa: a trajetória do bilionário Juan Carlos Escotet
Desse movimento nasceu o Banesco Banco Universal, que se tornaria um dos principais grupos financeiros privados da Venezuela. Com o tempo, a estratégia passou a mirar outros mercados. A expansão internacional ganhou corpo a partir de 2012, quando Escotet adquiriu o Banco Echevarría, na Espanha, por cerca de US$ 90 milhões. No ano seguinte, o grupo avançou sobre o Abanca, em uma transação avaliada em mais de US$ 1 bilhão. As aquisições marcaram a consolidação de um braço europeu com atuação em diversos países.
Hoje, as operações ligadas a Escotet estão presentes em mercados como Espanha, Estados Unidos, Panamá, Brasil, Portugal, Alemanha, França, Suíça, Colômbia e Caribe. Em dezembro de 2025, por meio do Abanca, o grupo fechou a compra do Targobank, subsidiária espanhola do Crédit Mutuel. No mesmo período, a unidade norte-americana do Banesco anunciou a aquisição de uma carteira de investimentos da Small Business Administration, no valor de US$ 95 milhões, ampliando a presença na Flórida e em Porto Rico.
A relação com o poder político na Venezuela, no entanto, esteve longe de ser linear. Durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, o Banesco enfrentou episódios de intervenção estatal. Em 2018, onze executivos do banco foram detidos sob acusações de irregularidades cambiais. Entre eles estava o presidente da operação local. Após negociações que envolveram autoridades estrangeiras, os dirigentes foram libertados, e a intervenção foi encerrada no ano seguinte. Desde então, o banco mantém atuação no país, mas com foco cada vez menor no mercado interno.
Negócios fora da Venezuela e embates políticos
Enquanto isso, Escotet fixou residência na cidade de Corunha, na Espanha, onde também ampliou sua presença institucional. Além de presidir o Abanca, ele assumiu recentemente a presidência do Deportivo de La Coruña, clube de futebol do qual é acionista controlador. A nomeação ocorreu após mudanças no conselho de administração e será submetida à ratificação dos acionistas. O movimento reforça a ligação do banqueiro com a região da Galícia, onde concentra parte relevante de seus investimentos.
A vida pessoal do empresário ganhou atenção pública em 2022, após a morte de seu filho, Juan Carlos Escotet Alviarez, aos 31 anos. O episódio ocorreu durante uma competição de pesca em Key Largo, na Flórida. Segundo relatos das autoridades locais e do jornal Miami Herald, o jovem tentou ajudar a noiva após uma queda no mar e acabou atingido pela hélice da embarcação. Ela sobreviveu ao acidente.
Em meio a mudanças políticas na Venezuela, incluindo ações recentes envolvendo o governo de Nicolás Maduro e os Estados Unidos, a história de Escotet segue como um caso fora da curva. Seu patrimônio e suas operações caminham em direção oposta à retração do país de origem. Mais do que um retrato individual, o percurso do banqueiro ajuda a entender como parte do capital latino-americano buscou estabilidade e crescimento por meio da internacionalização, em um cenário marcado por incertezas internas e rearranjos globais.
