A Biomm, comandada pelo CEO Heraldo Marchezini, terá de rever os planos para produzir, comercializar e distribuir no Brasil a primeira vacina inalável contra a Covid-19. Essa era uma das grandes apostas da atual gestão para crescer em biomedicamentos, uma tese que cada vez mais ganha espaço na indústria farmacêutica. Esse é o segundo indeferimento em dois meses. Em Dezembro de 2023 foi indeferido outro medicamento, o Pegfilgrastim.

No mais recente revés, a direção da companhia, pioneira em medicamentos biotecnológicos no país, não conseguiu a aprovação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do certificado de boas práticas de fabricação da chinesa CanSino Biologics INC, fabricante da Convidecia. A companhia explicou que a aprovação do CBPF da fábrica da CanSino é pré-requisito para a aprovação do dossiê regulatório da vacina Convidecia.

A Convidecia teve o primeiro pedido para uso emergencial protocolado na Anvisa em novembro de 2021, ainda durante a pandemia. Em fevereiro do ano seguinte, a Anvisa permitiu que o pedido de autorização emergencial fosse transformado em pedido definitivo. Em dezembro de 2022, a companhia fez a solicitação para o registro definitivo da vacina inalável. Em janeiro do ano passado, porém, o pedido foi indeferido pela Anvisa. Com a apresentação de recurso administrativo, em fevereiro de 2023, a companhia buscou reverter a decisão inicial, agora confirmada.

Conforme anunciado originalmente, a Biomm previa inicialmente importar as vacinas Convidecia e, mais tarde, produzir o imunizante, nas versões inalável e injetável, em sua fábrica em Nova Lima, em Minas Gerais. Mas, com o indeferimento do recurso pela Anvisa, a diretoria comandada por Marchezini precisará rever a estratégia com a parceira chinesa.

Posicionamento da Biomm

Gostaríamos de esclarecer que o crescimento da Biomm não depende da vacina. A companhia definiu a estratégia de crescimento com base na diversificação do portfólio para atender várias áreas terapêuticas, como endocrinologia, oncologia e antitrombóticos, trazendo ao mercado brasileiro produtos biofarmacêuticos mais acessíveis ao sistema de saúde e aos pacientes brasileiros.

Além de novos licenciamentos, a Biomm tem focado na expansão dos negócios. Já investiu mais de R$ 800 milhões na fábrica em Nova Lima (MG), com capacidade para produzir o equivalente a até 20 milhões de frascos e 20 milhões de carpules (seringas) de biomedicamentos por ano. Em junho de 2023, a companhia recebeu o Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) da Anvisa.

A expansão do portfólio tem contribuído para ampliar o acesso da população a terapias avançadas e a produção local vai fortalecer o crescimento do acesso aos tratamentos e beneficiar diretamente mais de seis mil pessoas por meio da geração de 300 empregos diretos e 1200 indiretos.

Vale lembrar que os resultados da companhia têm sido crescentes nos últimos anos, considerando-se a fase de ramp up da companhia. Na última divulgação de resultados, por exemplo, referente ao 3T23, o lucro bruto e a receita líquida cresceram 82% e 7,8%, respectivamente, em relação ao 3T22. Na franquia de oncologia, o volume comercializado no 3T23 da marca Herzuma cresceu 81%, comparado com 3T22. Já em diabetes, o incremento de vendas foi de 25%, alavancado pelo Glargilin, em comparação com o 3T22.