Apesar da recuperação mensal, a criptomoeda acumula perda de 15,55% no ano.

O Bitcoin registrou alta de 26,81% em reais durante o mês de agosto, mês onde a moeda liderou os retornos no país de acordo com dados da Elos Ayta. O avanço contrasta com o desempenho acumulado de 2026, período no qual a criptomoeda ainda acumula queda de 15,55% e se mantém como o pior resultado entre os ativos acompanhados.

Negociado próximo de US$ 78 mil no início de setembro, o mercado enfrenta vetores divergentes. Se a entrada de recursos via fundos de índice e a desvalorização do dólar impulsionam as cotações, a perspectiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve e a sazonalidade negativa do período pressionam os preços.

A alteração de trajetória teve início fora do ambiente de criptoativos, quando o Tesouro norte-americano anunciou a ampliação das recompras de títulos de longo prazo. A medida reduziu os rendimentos dos papéis públicos, enfraqueceu a moeda americana e reativou a tese de proteção contra a desvalorização monetária. Para Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, “a combinação de um dólar mais fraco, menor expectativa de retornos reais em renda fixa e o retorno simultâneo de demanda nos mercados criou as condições para uma alta acelerada do BTC”.

O fluxo de capital em ETFs nos Estados Unidos acompanhou a recuperação. Na semana encerrada em 21 de agosto, os fundos captaram US$ 1,92 bilhão, registrando o maior aporte semanal desde outubro de 2025, seguido por mais US$ 924 milhões no período posterior. Em paralelo, a Strategy retomou compras institucionais ao adquirir 4.603 Bitcoins por US$ 369,7 milhões, elevando sua posição para 845.050 unidades, enquanto a Strive adicionou 1.800 unidades à sua carteira, gerando um volume acumulado relevante no setor.

Levantamento da Binance Research aponta que a alta de 24,8% em sete dias representou um movimento de 2,5 desvios-padrão. Historicamente, em episódios semelhantes, a cotação se manteve em patamar superior após dois meses na maioria dos registros, atingindo ganho médio de 18,3%.

O calendário recente, contudo, impõe cautela. Setembro registra média histórica negativa para a criptomoeda desde 2013, padrão que afeta índices acionários tradicionais como o S&P 500. Os agentes financeiros monitoram os dados de emprego nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor e a reunião do Federal Reserve em 16 de setembro. Após declarações da autoridade monetária em Jackson Hole, as apostas no mercado futuro indicadas pelo CME FedWatch para uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros saltaram de 36% para 66,1%.

A elevação do petróleo Brent acima de US$ 92 por barril, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, encarece os transportes, dificultando a redução da inflação e elevando as taxas globais. Analistas da Bitget Wallet apontam que a manutenção dos preços na faixa entre US$ 76 mil e US$ 77 mil será decisiva nas próximas semanas. Uma perda desse suporte acompanhada de saídas em ETFs indicaria fraqueza, enquanto uma consolidação acima de US$ 80 mil sinalizaria absorção das vendas.

No Mercado Bitcoin, a leitura de suporte permanece alinhada em US$ 77 mil, com a média móvel de 200 dias próxima a US$ 70 mil atuando como baliza para correções mais intensas. A reação recente se estendeu a ativos alternativos como Solana e Ethereum, refletindo um apetite de risco mais amplo. O comportamento das taxas de juros americanas e o fluxo institucional definirão se o ativo sustentará o nível de preços atual ou se reverterá os ganhos do último mês.

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