Michael Terpin aponta ausência de verdadeira capitulação no mercado e alerta que o ciclo de correção ainda pode exterminar dois terços do topo histórico da moeda digital.

Principais Pontos

  • Projeção de piso drástica: O investidor veterano Michael Terpin afirma que o Bitcoin (BTC) pode recuar até a faixa de US$ 43,5 mil, acumulando uma retração de 66% em relação à sua máxima histórica de US$ 126.100.

  • Ausência de capitulação: Segundo Terpin, o mercado ainda não atingiu o fundo do poço verdadeiro, pois as altas recentes representam repiques temporários e não a liquidação final impulsionada pelo pânico.

  • Tese dos quatro anos: A previsão fundamenta-se no modelo histórico das “Quatro Estações do Bitcoin”, estruturado em torno dos eventos de halving e na psicologia dos ciclos de ganância e medo dos investidores.

  • Reflexos na B3: No cenário doméstico, a volatilidade afeta diretamente a precificação de ETFs de criptoativos regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como HASH11 e BITI11, exigindo cautela reforçada dos alocadores brasileiros.

Conhecido no ecossistema global de ativos digitais como o “Padrinho das Criptomoedas”, o fundador da Transform Ventures, Michael Terpin, emitiu um alerta severo para os investidores do mercado financeiro. Em contraste com o otimismo de analistas que vislumbram recuperações rápidas após momentos de liquidação, Terpin sustenta que o Bitcoin ainda não completou seu processo de purge operacional e pode cair para a marca dos US$ 43.500.

A projeção equivale a uma desvalorização de 66% frente ao pico histórico de US$ 126.100 atingido pelo ativo. Para o especialista de 68 anos, que acompanha a evolução do mercado cripto desde seus primeiros anos de existência, as fases de acumulação verdadeira e fundo definitivo exigem um nível de dor psicológica no investidor varejista que ainda não se materializou por completo no ciclo atual.

A tese do especialista diferencia-se pela rejeição à ideia de que fundos de mercado são formados por liquidações rápidas seguidas por subidas em V. Terpin argumenta que a marca registrada de um fundo real é a apatia prolongada e a ausência de apetite comprador imediato — um cenário de exaustão total do capital especulativo.

De acordo com essa visão, a ganância do investidor de varejo frequentemente adia o ajuste inevitável. Durante a formação de topos de mercado, ocorrem longas janelas de oportunidade para a realização de lucros que são ignoradas pela expectativa de altas infinitas. Na fase descendente, por sua vez, a tentativa de “comprar a faca caindo” em patamares intermediários atrasa a purga necessária para que a moeda digital encontre um piso sustentável de valuation.

A análise de Terpin apoia-se em sua teoria das “Quatro Estações do Bitcoin”, modelo que mapeia o comportamento do preço com base nas janelas quadrienais de corte pela metade na emissão de novas moedas (halving).

Nesse arcabouço conceitual, o mercado transita por fases previsíveis:

  • Inverno Cripto: Fase marcada pelo estouro da bolha, liquidação de posições alavancadas e desinteresse generalizado, onde o preço testa sua média móvel de longo prazo e estabelece o fundo do ciclo.

  • Primavera e Verão: Período de recomposição impulsionado pelo halving e pelo ingresso de capital institucional, que culmina no pico do rali de alta (bull market).

  • Outono: Fase de inflexão e transição, caracterizada pela perda de momento comprador e pelo início de retrações mais profundas no preço do ativo.

Sob a perspectiva do especialista, a queda rumo à faixa dos US$ 40 mil não destruiria a tese estrutural de longo prazo do Bitcoin, mas sim cumpriria a última etapa necessária para a limpeza dos excessos antes da construção de um novo ciclo de valorização nos anos subsequentes.

Impacto nos produtos de renda variável na B3

Para o investidor brasileiro que acessa o mercado de moedas digitais por meio da B3, a perspectiva de uma correção prolongada repercute diretamente nos produtos estruturados do mercado local.

Os fundos de índice geridos por casas brasileiras — como o HASH11 (Hashdex NASDAQ Crypto Index) e o BITI11 (Itau Unibanco Bitcoin ETF) — acompanham o desempenho spot e derivativo do mercado internacional. Em cenários de desvalorização acentuada do ativo subjacente em dólares, três fatores demandam atenção da carteira:

  • Efeito Câmbio (USD/BRL): A cotação dos ETFs na B3 depende tanto da variação do Bitcoin em dólares quanto da taxa de câmbio do real. Uma eventual desvalorização da moeda brasileira pode amortecer parcialmente a queda da cota em reais, mas não elimina a volatilidade do ativo.

  • Ajuste de Alavancagem: A queda expressiva no preço à vista limpa posições em contratos futuros na B3 e em bolsas globais, reduzindo o risco sistêmico de liquidações em cascata.

  • Janela de Aporte Fracionado: Analistas recomendam que investidores de perfil moderado ou arrojado evitem alocações únicas em momentos de incerteza do piso, priorizando a estratégia de compras fracionadas (Dollar Cost Averaging) para diluir o preço médio de entrada ao longo do ciclo de queda.

Guia do Investidor: Estratégias para atravessar o ciclo de queda

A gestão de risco em momentos de alta volatilidade exige disciplina operacional e alocação proporcional do patrimônio:

1. Dimensionamento do Risco

Manter a exposição ao setor de criptoativos em patamares adequados ao perfil do investidor, geralmente limitando a fatia entre 1% e 5% da carteira total de investimentos para evitar comprometimento patrimonial em fases de bear market.

2. Monitoramento de Métricas On-Chain

Acompanhar indicadores de fluxo de capitais nos fundos de índice internacionais (ETFs à vista nos EUA) e a movimentação de carteiras de longo prazo (long-term holders), que costumam sinalizar o início da fase de acumulação institucional antes da recuperação das cotações.

3. Preservação de Liquidez

Manter parcela dos recursos destinados à renda variável em caixa de alta liquidez e baixo risco (como pós-fixados indexados à taxa Selic), garantindo capacidade financeira para efetuar compras táticas no momento em que os indicadores confirmarem o fundo do poço.

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Para entender melhor as evidências históricas e a dinâmica comportamental que sustentam os ciclos de quatro anos da moeda digital, vale conferir o debate sobre a Persistência do ciclo de 4 anos do Bitcoin na visão de Michael Terpin.