O atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou nesta segunda-feira que não será candidato na eleição para sua sucessão.

“Em 26 de fevereiro, a Fifa terá um novo presidente”, afirmou Blatter na coletiva de imprensa, respondendo à insistente pergunta dos jornalistas.

“Voltarei a meu trabalho anterior, de jornalista”, acrescentou.

“Eu desejo boa sorte a todos os candidatos”, declarou ainda, acrescentando que “felicita Michel Platinni”.

Um pouco antes da coletiva, uma fonte ligada à Uefa (União Europeia de Futebol) afirmou que o presidente da organização europeia e principal adversário de Blatter pretende decidir nos próximos 15 dias se vai se apresentar ou não como candidato à presidência da Fifa.

Blatter falou ainda das reformas que planeja fazer na Fifa antes do Congresso Eletivo de 2016.

Entre as reformas, citou a limitação de mandato para dirigentes (ele está no poder desde 1998, em seu quinto mandato) e um controle mais rígido para evitar a corrupção dos membros do Comitê Executivo (com a publicação de suas remunerações).

“As reformas propostas incluem controles da integridade dos membros do Comitê Executivo, a introdução de limitação dos mandatos, maiores padrões de governo em todos os níveis e estruturas do futebol, incluindo confederações e associações membros”, explicou a Fifa em um comunicado emitido de maneira simultânea à coletiva de Blatter.

Segundo o texto, os membros deram uma boa acolhida à apresentação das reformas propostas por Domenico Scala, presidente do Comitê de Auditoria da organização.

Blatter, além disso, anunciou a formação de um grupo de trabalho de 11 pessoas, presidido por uma personalidade independente, para conduzir essas reformas.

Um incidente incômodo para o presidente da Fifa ocorreu um pouco antes do início da coletiva, quando um comediante britânico atirou notas de dinheiro em Blatter.

“Temos que limpar a sala. Isto não tem nada a ver com futebol. Voltarei em poucos minutos”, disse Blatter, visivelmente irritado com a presença do comediante, que foi expulso por agentes de segurança.

Quando Blatter voltou para a sala dez minutos depois, se referiu a ele: “É uma falta de educação”, pedindo desculpas aos jornalistas pelo atraso.

A coletiva aconteceu logo depois que a Fifa anunciou que 26 de fevereiro de 2016 é a data escolhida para o Congresso extraordinário que elegerá o presidente para suceder Blatter, que apresentou sua demissão no início de junho.

“O Congresso eletivo extraordinário da Fifa foi programado para 26 de fevereiro em Zurique”, escreveu a Fifa em seu Twitter, depois da decisão do Comitê Executivo da organização, reunido nesta segunda-feira na sede da cidade suíça.

O novo Congresso eletivo acontecerá nove meses depois do 65º Congresso de 28 e 29 de maio, onde Joseph Blatter havia sido eleito para um quinto mandato, até 2019, como presidente da Fifa.

Dois dias antes de sua última reeleição, ocorreram sete detenções de dirigentes de futebol, o que provocou um escândalo mundial que colocou a Fifa e Blatter no olho do furacão.

Blatter parecia que ia enfrentar a situação quando, quatro dias depois de ser reeleito, em função do escândalo de corrupção envolvendo seu número dois, Jérôme Valcke, Blatter convocou a imprensa para anunciar sua demissão.

Desde então, correram rumores de que ele pretendia voltar atrás em sua decisão e concorrer de novo à presidência da principal entidade mundial do futebol.