08/10/2015 - 11:16
Um novo terremoto abalou nesta quinta-feira a Fifa, com as suspensões por 90 dias do presidente demissionário Joseph Blatter e de Michel Platini, favorito para a sucessão do suíço, e a punição por seis anos de outro candidato à presidência da entidade, Chung Mong-joon.
O ex-secretário-geral da Fifa Jerome Valcke, demitido em setembro, também foi suspenso por 90 dias.
A Comissão de Ética da Fifa estabeleceu para Blatter, Platini e Valcke a suspensão cautelar de qualquer atividade relacionada com o futebol a nível nacional e internacional, com efeito imediato e possibilidade de prorrogação por 45 dias.
A suspensão de Blatter e Platini foi motivada por um caso de “pagamento desleal”.
Com a decisão, a Fifa afastou Blatter da presidência e nomeou como presidente interino o presidente da Confederação Africana de Futebol, o camaronês Issa Hayatou.
No caso de Blatter e Platini, a decisão foi motivada pela abertura no fim de setembro, pela justiça suíça, de um processo penal contra o primeiro por um “pagamento desleal” de dois milhões de francos suíços (1,8 milhão de euros) em 2011 ao francês.
Em 25 de setembro, Platini prestou depoimento à justiça da Suíça por este pagamento na condição de “pessoa que oferece informações”. Segundo o Ministério Público do país, esta é uma figura jurídica “entre testemunha e acusado”.
Blatter também é acusado pela justiça suíça de ter assinado um “contrato desfavorável” à Fifa com a União Caribenha de Futebol, pelo qual a entidade cedia por um valor inferior ao do mercado os direitos de transmissão pela TV para a região das Copas do Mundo de 2010 e 2014.
Para aumentar a pressão, o presidente da Federação Alemã de Futebol, Wolfgang Niersbach, pediu a renúncia imediata de Blatter.
“O futuro só pode ser construído sem o antigo presidente, sem Sepp Blatter”, declarou Niersbach.
Também punido nesta quinta-feira, Valcke é acusado de envolvimento em um caso de revenda de ingressos no mercado negro.
Chung, que além da suspensão de seis anos também foi condenado a pagar uma multa 100.000 francos suíços (91.000 euros), é acusado de tentativa de favorecer seu país, a Coreia do Sul, na escolha da sede da Copa do Mundo de 2022, atribuída ao Catar.
Blatter, por meio de seus advogados, reagiu afirmando que a Comissão de Ética da Fifa “não respeitou suas próprias regras” ao decidir pela suspensão.
“O presidente Blatter está decepcionado com a comissão porque não seguiu o código de ética e o código disciplinar que oferecem a um suspeito a possibilidade de ser ouvido”, afirmou um dos advogados em um comunicado.
O texto acrescenta que a comissão baseou sua decisão em uma “má interpretação da ação iniciada pela justiça suíça”.
Após a decisão da suspensão, a Fifa anunciou a substituição temporária de Blatter por Issa Hayatou.
“Por uma duração de 90 dias, Joseph Blatter não tem o direito de representar a Fifa de qualquer maneira e nem de agir em seu nome”, indica a instância suprema do futebol mundial.
Segundo o texto, Blatter foi afastado de suas funções devido a sua suspensão pela Comissão Ética.
De acordo com o estatuto da Fifa, Hayatou assumirá o cargo como “o mais antigo vice-presidente do Comitê Executivo em função”.
Favorito para a sucessão de Blatter na eleição prevista para 26 de fevereiro, Platini, presidente da Uefa, sofreu um golpe duro, mas não perdeu a batalha em definitivo.
“A questão (a candidatura de Platini à presidência da Fifa) não diz respeito ao Comitê de Ética, e sim à Comissão Eleitoral da Fifa, que vai estudar a validade”, afirmou à AFP Andreas Bantel, porta-voz da Comissão de Ética.
Poucos minutos antes do anúncio da suspensão, Platini se antecipou e depositou na sede da Fifa as cartas de apoio necessárias para a candidatura à presidência.
Agora o francês corre o risco da comissão eleitoral o declarar não elegível por vários critérios, incluindo a integridade.
Com a suspensão de seis anos de Chung e a punição cautelar de três tres meses a Platini, os dois favoritos para suceder Blatter, a disputa pela presidência da Fifa sofreu uma guinada.
Ainda permanecem como candidatos o príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein, o ídolo brasileiro Zico e o presidente da Federação da Libéria, Mussa Bility.
Além destes, o sul-africano Tokyo Sexwale, que foi companheiro de prisão de Nelson Mandela e foi nomeado recentemente diretor do comitê de vigilância da Fifa para Israel e Palestina, também pode entrar na disputa.
A dúvida agora é saber se o novo terremoto na Fifa pode provocar mudanças nas eleições de fevereiro.