Diante da expectativa de melhora da confiança dos investidores em  relação ao Brasil, a Bolsa brasileira poderá ser, no fim deste ano,  palco de uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês),  depois de mais de um ano sem nenhuma estreante. “Há uma confiança de que  o ajuste fiscal virá e criará novas bases de crescimento da economia”,  disse o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, , frisando  que existe uma grande expectativa, visto que é grande o movimento de  companhias represadas, que já somam mais de 50. Mas uma certeza sobre a  realização de IPOs, ele disse que apenas para 2017.

Um IPO que era  esperado para acontecer neste ano era o do ressegurador IRB Brasil RE,  mas a empresa preferiu deixar a oferta para o ano que vem, por decisão  de seus acionistas, quando esperam encontrar melhores condições no  mercado.

O presidente da Bolsa elogiou a equipe econômica formada  pelo governo Temer e disse que o governo já mostrou que irá usar o  mercado de capitais para levantar recursos, movimento que vem sendo  buscado diante do déficit fiscal do País. “Precisamos das reformas para  consolidar a retomada de confiança dos investidores estrangeiros”,  destacou, frisando que a sua percepção é de que o mercado de capitais  será uma grande alavanca para o crescimento brasileiro.

Depois de  duas ofertas subsequentes (follow ons) de sucesso em um período de  apenas duas semanas, a Bolsa brasileira deverá ser palco de novas  captações de companhias já listadas, na esteira do início da melhora do  humor em relação ao Brasil, apurou o Broadcast, serviço de notícias em  tempo real do Grupo Estado. Os principais setores candidatos, conforme  fontes de mercado, são energia, infraestrutura, shoppings e saúde.

Internacionalização

A  BM&FBovespa segue conversando com as bolsas de Argentina e Peru  para conseguir concluir seu projeto de internacionalização pela América  Latina. Segundo Edemir Pinto, está mantida a meta de alcançar a  participação minoritária em cinco bolsas da região até o final do ano.

Em um movimento que iniciado no ano passado, a Bovespa já adquiriu a fatia minoritária das bolsas da Colômbia, México e Chile.

O  objetivo é atingir a fatia minoritária nessas cinco bolsas da América  Latina, até o limite permitido pela regulação local, que varia entre 5% e  15%. A intenção é finalizar esse processo de aquisições até o fim deste  ano.

No Brasil, a Bolsa aguarda as aprovações regulatórias para poder iniciar sua integração com a Cetip.

Substituição

A  BM&FBovespa está buscando um substituto para Eduardo Guardia, que  ocupava o cargo de diretor executivo de Produtos da Bolsa, antes de  assumir em junho a secretaria da Fazenda. O diretor presidente da Bolsa,  Edemir Pinto, disse que esse anúncio deverá ser feito em breve.

Desde  a saída de Guardia, o diretor executivo de Operações, Clearing e  Depositária da BM&FBovespa, Cícero Vieira, tem acumulado a diretoria  de Produtos.

Governança

No ano que vem grandes  companhias deverão aderir ao programa de governança de estatais, lançado  ano passado na esteira da crise de credibilidade das companhias do  governo. Segundo Edemir Pinto, muitas companhias da União já estão  consultando a Bolsa sobre o programa.

Cetip

A  BM&FBovespa não tem a intenção de realizar programas de recompra até  que seja concluída a operação de fusão com a Cetip, que ainda aguarda  as aprovações dos reguladores, disse em teleconferência o diretor  executivo de Finanças e de Relações com Investidores, Daniel Sonder.  A  companhia visa neste momento manter seu caixa robusto para financiar a  fusão após o cartão verde do Cade, que deverá ser o último aval a ser  conquistado.

O caixa próprio da Bolsa brasileira somou, ao fim de  junho, R$ 8,234 bilhões, sendo cerca de R$ 6 bilhões em recursos retidos  para financiar a combinação dos negócios com a depositária, incluindo,  nessa linha, a principal origem do capital, que foi a venda da fatia que  era detida na bolsa americana CME, que somou R$ 5,488 bilhões antes de  impostos.

A Bolsa também diminuiu seu payout, para ajudar na  preparação do financiamento.  Ontem a Bolsa anunciou um pagamento de  juros sobre capital de R$ 215,6 milhões, equivalente a 50% do lucro  líquido da Bolsa no segundo trimestre do ano, excluindo os efeitos da  venda das ações da CME.

Carf

A BM&FBovespa segue  convencida de que a perda no caso do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais (Carf) segue como remota e que assim não existe a necessidade  de provisão, disse Sonder. O executivo afirmou que mesmo se houver uma  nova perda na esfera administrativa, a companhia ainda não fará a  provisão, e buscará vitória no Judiciário.

O Carf questiona a amortização, para fins fiscais, do ágio gerado na incorporação das ações da Bovespa pela BM&F, em 2008.