08/09/2000 - 7:00
Muitos empresários acham que o dinheiro do BNDES, principal banco de fomento do País, só serve para grandes projetos. Em parte é verdade. Dos 18 bilhões desembolsados em 1999 pelo banco, 74% foram para esse tipo de negócio. Para os empresários das micro, pequenas e médias companhias ? 99,4% das empresas ? existe, no entanto, uma excelente notícia: esse quadro está mudando. Nos últimos anos o banco tem facilitado cada vez mais o acesso dos pequenos (com faturamento de até R$ 6,1 milhões) às suas linhas. Em 1998, por exemplo, foram atendidos 31 mil pedidos de empresários de pequeno porte. Até agosto de 2000, já são 69 mil.
O dinheiro está mais fácil porque as duas principais dores de cabeça dos pequenos ? a falta de garantias e a burocracia ? estão diminuindo. No primeiro caso, os bancos ? que concedem os créditos do BNDES para os pequenos e assumem o risco da inadimplência ? sempre dificultaram a vida de quem não tem garantias. ?O banco fica muito cuidadoso e seletivo ao emprestar para esse segmento?, avalia Guillermo Graziani, chefe do departamento de relações com o mercado do BNDES. Contra isso, em 1998, foi criado um fundo de aval do BNDES, uma espécie de seguro que garante o crédito. Em julho do ano passado, a cobertura foi aumentada para 80%. Ou seja, na inadimplência o banco arca apenas com 20% do prejuízo.
Quanto à burocracia, muitas empresas menores não passavam da fase inicial por desinformação ou falta de organização (por exemplo, fluxo de caixa, balanços trimestrais e certidões negativas desatualizadas). Para esclarecer melhor o processo em fevereiro o BNDES criou 11 postos de orientação nas principais federações da indústria do País. Com o mesmo objetivo, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo vai lançar mês que vem uma cartilha para explicar o BNDES Automático, uma linha para empréstimos de até R$ 7 milhões.