Um banco sem agências, mas com muito dinheiro em caixa. Assim é o DEG, o banco público alemão de desenvolvimento, que já tem até um escritório em São Paulo. O tamanho da operação brasileira justificou a criação da nova sucursal. Afinal, o País ocupa o primeiro lugar no ranking de empréstimos da instituição, com uma carteira de 150 milhões de euros. Com operações em 85 países, o DEG tem uma carteira com mais de 1,8 bilhão de euros. Seu negócio é financiar empresas privadas de médio porte em países em desenvolvimento na América Latina, Ásia, África ou Leste europeu. Ou seja, é uma espécie de BNDES alemão. Enquanto a maioria dos bancos locais oferece linhas de crédito por prazos mais curtos, o DEG garante os empréstimos mais longos. ?Ficamos com os prazos mais longos dos financiamentos, que a banca local geralmente não faz?, diz o economista alemão Thomas Kessler, diretor do escritório brasileiro.

Entre as empresas brasileiras já financiadas pelo DEG está a fabricante de metais sanitários Docol, de Joinville, no interior de Santa Catarina. A instituição alemã bancou parte do projeto de uma linha de metais com fechamento automático, que economiza água, orçado em 8 milhões de euros. ?O financiamento da DEG foi fundamental para a conclusão do projeto?, afirma Antonio Carlos Minatti, diretor comercial da Docol. O DEG também financiou a implantação do primeiro parque de geração eólica de energia, construído pela Wobben no Ceará. Do valor total do empreendimento, orçado em 18 milhões de euros, o banco alemão contribuiu com 7 milhões de euros.

Juros baixos. Segundo Kessler, a instituição analisa anualmente cerca de 50 projetos no Brasil, dos quais no máximo cinco acabam sendo financiados. Os juros são o maior atrativo. O banco cobra um spread de 3,5 a 5 pontos porcentuais sobre a Libor (taxa básica do mercado europeu), o que dá um juro por volta de 7% ao ano. O complicador é a variação cambial. Como os créditos são baseados em moeda estrangeira ? dólar ou euro ? as empresas com receitas em real correm um risco extra. ?Ser exportador é um fator que ajuda na hora de uma empresa ter o seu projeto aprovado?, observa Kessler. ?Seria muito imprudente da parte do empresário assumir um compromisso em dólar sem ter receitas em dólar.?

Além da exigência dessa espécie de hedge natural, o DEG também não financia projetos nas áreas de bebidas alcoólicas, fumo e armamentos. Todos os demais setores são bem-vindos, desde que o empreendimento seja economicamente viável, contribua para o desenvolvimento do País e, obviamente, seja lucrativo para o banco. ?Não damos o peixe, ensinamos a pescar?, filosofa Kessler. ?Mas como somos um banco e não uma entidade filantrópica, depois vamos querer a nossa parte do peixe.?