Quando você coloca seu dinheiro num fundo de investimento ou plano de previdência, ele passa por muitos lugares. Um deles, bem menos conhecido que a bolsa de valores ? e que negocia muito mais dinheiro ? é a Bolsa de Mercadoria e Futuros. Enquanto a Bovespa teve um volume financeiro médio de US$ 400 milhões ao dia (até setembro deste ano), esse valor chegou a US$ 14,6 bilhões na BM&F. Você dificilmente vai apostar direto nesse mercado, mas o administrador do seu fundo sim. ?É para profissionais. Lá, o sucesso depende da antecipação correta das tendências?, diz José Manuel Amorim, da corretora paulista Novação. Na BM&F, um gestor pode, por exemplo, proteger o dinheiro do investidor de uma queda da bolsa ou de aumento dos juros. Ou diversificar o portfólio do seu fundo de investimentos.

Apesar disso, a BM&F não é lugar para investidores. Ninguém põe dinheiro lá para que renda num determinado prazo. Os objetivos de quem opera nesse mercado são outros. O primeiro deles é proteger ativos financeiros e mercadorias (como boi, açúcar ou milho) de bruscas variações de preços ? o chamado ?hedge?. Uma curiosidade: apesar de se falar tanto de contratos de café ou soja, eles representam menos de 1% do que é negociado na BM&F. O que mais se faz por lá são os contratos futuros de juros e de dólar. Este, por sinal, o que quebrou os bancos Marka e FonteCindam.

Outros objetivos são arbitragem e especulação. É justamente este último o motivo do maior número de apostas na instituição. Os especuladores querem ganhar com a oscilação de preços dos ativos financeiros. Quanto maior a variação, maiores os riscos e as chances de ganhar ou perder. ?O especulador é importante para dar liquidez à Bolsa?, diz Marco Aurélio Teixeira, diretor técnico da BM&F. Uma das grandes armas dos especuladores na BM&F é a alavancagem. ?Ela permite que se opere muito desembolsando pouco?, diz William Eid, da Fundação Getúlio Vargas. Exemplo: imagine que você tem R$ 1.000 para investir num ativo que custa R$ 500. Você compra dois ativos. Com uma opção sobre esse ativo que custasse R$ 10, você poderia operar 50 ativos. E a BM&F está repleta de instrumentos que possibilitam esse tipo de operação. ?Eles potencializam o retorno, mas também o risco?, diz Amorim. Como o dinheiro operado é muito maior do que aquele que realmente sai de um bolso e entra em outro, o movimento médio diário da BM&F ? US$ 14,6 bilhões ? deve ser considerado um valor referencial. ?O volume não se refere à troca de dinheiro entre as partes?, diz Teixeira, da BM&F. Na prática, circularam na Bolsa em média R$ 80 milhões por dia nos últimos seis meses em operações efetivamente liquidadas.