04/04/2007 - 7:00
O advogado Guilherme Pinheiro, de 33 anos, não é um investidor afeito a riscos. Entre todas as suas aplicações, 65% encontram-se em poupança e renda fixa e 35% em fundos de ações. Tempos atrás, ele até tentou investir na Bolsa, mas, como não conseguia acompanhar o sobe-e-desce das ações em tempo real, desistiu. No mês passado, contudo, ele decidiu entrar novamente no universo das preferenciais e ordinárias. O que o seduziu atende pelo nome cellbroker. Trata-se de uma ferramenta que permite acompanhar a valorização e desvalorização dos papéis via telefone celular. ?É fácil operar pelo celular?, diz Pinheiro. ?O aparelho apita quando a ação chega no teto ou no piso e, dessa forma, consigo saber qual é o meu risco naquele instante.? Para ter acesso a essa ferramenta, é necessário contratar os serviços da Cellbroker, empresa de tecnologia que está trazendo a novidade para o Brasil. A compra e venda de ações pelo canal móvel ainda está em fase de testes. Mas a partir do segundo semestre essa operação estará disponível. Com isso, será possível investir a qualquer hora. Seja na praia, seja durante reuniões, almoços…
O custo do serviço, que oferece cotações diárias e informações da Bovespa e da BM&F, varia de R$ 20 a R$ 50 por mês. O usuário baixa um aplicativo e pode listar até 56 ativos do mercado de valores mobiliários. ?Esse é o mesmo número de ativos do índice Bovespa, que contém as ações mais líquidas?, diz Joca Muller, diretor da Cellbroker. Entretanto, todos os ativos são inseridos através dos códigos dos papéis. No caso de Pinheiro, que comprou ações ordinárias do Bradesco e da Petrobras, os códigos que surgem na tela do celular são BBDC3 e PETR3, respectivamente. O Brasil é o terceiro país a oferecer esse tipo de serviço que começou a ser difundido na Ásia. Lá, já é possível comprar e vender ações e a novidade tornou-se sucesso. Por aqui, quem quiser negociar os papéis terá de se cadastrar a uma corretora e passar por todo o procedimento de enviar a ordem de compra ou venda. Depois disso, ele aguarda a corretora checar a situação financeira e validar a operação para receber o aviso da conclusão do negócio. ?É fundamental para o processo de tomada de decisão no mercado financeiro o acesso rápido à informação?, diz Márcio Alves, responsável pela área de canais da Ágora Corretora, a primeira a fazer testes com a nova ferramenta. ?E as soluções via celular são complementares para os investidores?, salienta.
Entre os parceiros nesse projeto da cellbroker estão a Motorola e a IBM. No caso da Motorola, a empresa tem um contrato de exclusividade no qual o cellbroker funcionará apenas nos aparelhos Moto Q, MotoroKR E2, MotoSLVR l6 e l7, Motorazr V3 e V3i, MotoPEBL U6 e Motorola V360. A IBM também entra com a restrição de fornecer toda a parte de engenharia de segurança na transmissão dos dados da aplicação dos clientes. O contrato vai até a metade de 2007 e pode ser prolongado por mais um período, ainda a ser discutido pelas partes envolvidas: ?Dentro do contexto de soluções de mobilidade, já estávamos interessados em investimentos na bolsa de valores?, diz Augusto Carvalho, diretor da área de soluções de mobilidade da IBM. ?O projeto da Cellbroker casou com o nosso interesse.?