As Bolsas asiáticas fecharam em alta nesta terça-feira, com a de Tóquio em mais de 4%, em meio às esperanças de resolução da crise nuclear no Japão. Mas a preocupação com a situação na Líbia prevaleceu na Europa e em Wall Street.

As dissonâncias da comunidade internacional sobre a intervenção militar na Líbia, onde violentos combates prosseguiam nesta terça-feira, dobraram as principais praças europeias, também penalizadas com as realizações de lucros, após vários dias em alta.

Após ter chegado segunda-feira no nível de antes da crise japonesa, o índice CAC-40 da Bolsa de Paris cedeu 0,30%. O mesmo cenário foi observado em Londres, onde o Footsie-100 caiu 0,41%, e em Frankfurt, com o Dax perdendo 0,52%.

A Bolsa de Nova York fechou em leve queda, fazendo uma pausa depois de três dias de alta, apesar de ter resistido bem à pressão negativa de um novo aumento dos preços do petróleo. O Dow Jones perdeu 0,15% e o Nasdaq, 0,31%.

Segundo dados definitivos de fechamento, o Dow Jones Industrial Average caiu 17,90 pontos, a 12.018,63 pontos, e o Nasdaq, de alto componente tecnológico, caiu 8,22 pontos, a 2.683,87 pontos.

O índice ampliado Standard & Poor’s 500 caiu 0,36% (4,61 pontos), a 1.293,77 pontos.

“Os bombardeios contínuos da Líbia pela coalizão impedem qualquer entusiasmo nos mercados”, consideraram os analistas da casa Charles Schwab.

No entanto, após um final de semana prolongado com o feriado de segunda-feira no Japão, a Bolsa de Tóquio fechou em alta de 4,36%.

Hong Kong avançou 0,76%; Xangai, 0,34%, e Seul, 0,51%.

A Bolsa japonesa chegou a desabar 10,22% na semana passada, com o mercado temendo uma catástrofe nuclear maior e preocupando-se com as consequências do terremoto seguido de tsunami, do dia 11 de março, na economia do país.

“Os investidores estrangeiros aproveitam a oportunidade, no momento, de comprar ações a bom preço”, declarou Masayoshi Yano, analista da Meiwa Securities.

Nesta terça-feira, o mercado foi apoiado pela operação do Banco do Japão (BoJ), que injetou 2 trilhões de ienes (17 bilhões de euros) a mais no mercado monetário, para ajudar a economia nipônica.

Também elevou a 39 trilhões de ienes (339 bilhões de euros) as somas desbloqueadas desde 11 de março. O BoJ quer ajudar os bancos a se financiarem, uma vez que a circulação monetária foi prejudicada pela catástrofe.

Esta poderá custar à economia japonesa até 235 bilhões de dólares (165 bilhões de euros), ou seja, 4% da produção nacional, informou o Banco Mundial na segunda-feira.

Os trabalhos prosseguiram nesta terça-feira para tentar reativar os sistemas de resfriamento dos reatores da central de Fukushima. A eletricidade foi parcialmente restabelecida na sala de controle do reator número 3, o que deverá permitir retomar a circulação de água na piscina de contenção, onde fica o combustível radioativo.

As autoridades japonesas deixaram pairar nesta terça-feira a ameaça de uma nova intervenção do G7 para enfraquecer o iene, após a ação liderada sexta-feira passada pelos países industrializados.

A intervenção do Federal Reserve (Fed) no mercado de câmbio, em meio à decisão conjunta do grupo dos sete países mais industrializados, o G7, de fazer a moeda japonesa baixar, consistiu na venda de ienes por pacotes de 50 milhões de dólares, segundo a agência financeira Dow Jones Newswires.

O Fed poderá assim ter vendido ienes em um total que poderá oscilar de “600 milhões a 1 bilhão de dólares”, completou a agência.

Os bancos centrais dos países-membros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido realizaram também na sexta-feira “uma intervenção conjunta nos mercados de câmbio” por conta da disparada do iene, depois do devastador terremoto que afetou o Japão em 11 de março.

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