As bolsas da Europa fecharam com quedas significativas, evidenciando o desconforto dos investidores com o lento avanço nas negociações entre Grécia e seus credores internacionais e o resultado aquém do esperado da balança comercial dos Estados Unidos.

O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 1,46% e encerrou o dia aos 391,01 pontos. Três das mais importantes bolsas europeias fecharam nas mínimas nesta sessão: Londres caiu 0,84%, para 6.927,58 pontos; Milão cedeu 2,76%, para 22.576,35 pontos; e Lisboa baixou 2,41%, para 6.053,70 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX teve retração de 2,51%, para 11.327,68 pontos, e em Paris, o CAC-40 caiu 2,12%, para 4.974,07 pontos.

Na Bolsa de Atenas, a queda chegou a superar 4% depois que a União Europeia cortou suas projeções de crescimento econômico para a Grécia neste ano de 2,5% para 0,5%, citando

incertezas políticas e piores condições de liquidez. Ao fim do pregão, o índice Athex apontava baixa de 3,85%, aos 794,23 pontos.

A revisão, para cima, nas estimativas da União Europeia para expansão da zona do euro em 2015 não foi suficiente para levar otimismo ao mercado. A perspectiva é de crescimento de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da região neste ano, acima da taxa de 1,3% projetada anteriormente. Para a União Europeia, a previsão de expansão do PIB subiu de 1,7% para 1,8%.

O clima das operações foi ditado pelos temores de que a Grécia poderá não conseguir honrar a dívida de 750 milhões de euros junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que vence na próxima semana. Embora autoridades afirmem que há progressos nas negociações, a sinalização é de que um acordo entre Atenas e seus credores internacionais não deve sair antes de 11 de maio, quando acontece nova reunião dos ministros de Finanças da zona do euro. A dívida da Grécia com o FMI vence no dia seguinte.

Ainda pesou sobre os negócios a notícia de que o saldo comercial dos Estados Unidos decepcionou, com o déficit registrando a maior expansão mensal em quase 20 anos. O saldo negativo foi de US$ 51,37 bilhões em março, uma alta de 43,1% em relação a fevereiro. O déficit comercial visto em março foi o maior desde outubro de 2008 e superou a previsão dos analistas, que esperavam resultado negativo de US$ 42,5 bilhões.

Entre os papéis de destaque neste pregão, estão os da Adidas, que caíram 2,25% após a companhia apresentar seu balanço do primeiro trimestre. As ações do setor bancário despontaram entre as maiores perdas, entre elas Commerzbank (-2,59%), Deutsche Bank (-2,10%), BNP Paribas (-3,10%) e HSBC (-3,16%).

Já os papéis do setor de petróleo e gás subiram puxados pela alta da commodity. As ações da Royal Dutch Shell avançaram 1,05% e as da BP ganharam 1,36%.