04/07/2016 - 8:51
As bolsas europeias operam em baixa nesta segunda-feira, com os investidores cautelosos pontuando os desdobramentos e as consequências da decisão do Reino Unido deixar União Europeia após um rali na semana passada. O dia de hoje também tende a ser de baixos volumes de negociações devido ao feriado do Dia da Independência nos EUA.
Às 8h45 (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 0,30%, Paris perdia 0,40% e Frankfurt tinha queda de 0,31%. Já a Bolsa de Milão recuava 0,85%, Madri subia 0,12%, enquanto Lisboa subia 0,44%.
Os investidores iniciaram as negociações interpretando a decisão do chefe do Tesouro do Reino Unido, George Osborne, que disse que planeja cortar os impostos corporativos do país para apenas 15%, em um esforço para atrair investimentos, após o impacto da decisão dos britânicos de se separarem da União Europeia (movimento conhecido com Brexit).
Osborne anunciou a nova meta de impostos em uma entrevista ao Financial Times publicada no domingo. A atual taxa é de 20% e a autoridade já havia planejado reduzi-la para 17% até 2020, o que faria dos impostos corporativos do Reino Unido os mais baixos entre o grupo das 20 nações mais industrializadas e desenvolvidas. O corte de impostos é parte de um plano mais amplo para impulsionar a economia do país na esteira do Brexit, de acordo com Osborne. Apesar de a notícia ser benéfica para as empresas, ela mostra o quão pressionada está a economia, o que gera incertezas nos mercados financeiros.
Além disso, mais cautela foi sentida após a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de construção do Reino Unido, que caiu para 46,0 em junho, de 51,2 em maio, ficando bem abaixo da marca de 50,0 que indica contração de atividade e atingindo o menor nível desde junho de 2009, segundo pesquisa divulgada hoje pela Markit Economics em parceria com a CIPS. Em reação ao dado fraco, a libra passou a se enfraquecer ante o dólar. No horário acima, a moeda britânica recuava a US$ 1,3258, de US$ 1,3281 no fim da tarde de sexta-feira.
Ainda no Reino Unido, o líder Partido de Independência do Reino Unido (UKIP, na sigla em inglês) – que foi um dos principais defensores do Brexit – anunciou nesta manhã que renunciou à liderança com o argumento de que “não tem mais nada a fazer”, uma vez que ele “já fez sua parte”.
Entre as maiores quedas, a Bolsa de Milão lidera pressionada por quedas acentuadas de bancos. As ações do Monte dei Paschi di Siena caíram 8,7% depois que a instituição foi notificada de que o Banco Central Europeu tem a intenção de pedir ao credor italiano para reduzir a sua carteira de empréstimos inadimplentes brutos a 32,6 bilhões de euros (US$ 36,3 bilhões) até 2018, do nível atual de 46,9 bilhões de euros.
Além disso, de acordo com notícia publicada pelo Financial Times no domingo, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, poderia estar à caminho de um confronto com Bruxelas com um plano para resgatar bancos em dificuldades do país com fundos públicos, se necessário, potencialmente desafiando novos regulamentos bancários europeus. Autoridades apontam a ação como perigosa, o que levou as ações do Banco Popolare a recuarem 2,30%.
As ações de bancos italianos têm enfrentado uma pressão significativa desde o plebiscito do Reino Unido, no dia 23 de junho, o que resultou em uma saída do país da União Europeia e aumentou a incerteza econômica e a perspectiva de taxas mais baixas por mais tempo.
Entre os papéis que limitam as perdas nas bolsas estão o de empresas mineradoras, que avançam em meio a uma retomada dos preços dos metais no geral. No mesmo horário, as ações da Rio Tinto e da Antofagasta avançavam 2,35% e 3,36%, respectivamente.
Um indicador positivo na zona do euro também ajuda a conter as quedas. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da região subiu 0,6% em maio ante abril, registrando o maior aumento desde fevereiro de 2015, segundo dados publicados hoje pela agência oficial de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. A previsão de analistas consultados pela Dow Jones Newswires era de alta mensal menor, de 0,3%.