Os dados acima do esperado sobre as expectativas econômicas na Alemanha e os preços ao consumidor (CPI) do Reino Unido levaram as principais bolsas europeias a fecharem em alta. Os comentários feitos ontem pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que afirmou que a instituição pode tomar mais medidas não convencionais para estimular a economia da zona do euro, também continuaram impulsionando as bolsas europeias. O índice Stoxx 600 subiu 0,61%, para 339,30 pontos.

Na Alemanha, principal economia da zona do euro, o índice de expectativas divulgado pelo instituto ZEW avançou para 11,5 em novembro, de -3,6 em outubro, bem acima da previsão de alta para 0,9, de acordo com analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. O resultado interrompeu a sequência de dez meses consecutivos de queda e renovou a confiança no fortalecimento econômico do país. De acordo com o instituto, apesar de o ambiente econômico permanecer frágil, os dados recentes de crescimento na zona do euro sugerem um grau de estabilização.

A forte recuperação de novembro no índice ZEW é um bom sinal para a economia alemã, afirmou Evelyn Herrmann, economista do BNP Paribas. Apesar da previsão de que o crescimento no quarto trimestre será limitado, “pesquisas sinalizam um crescimento mais robusto novamente em 2015”, afirmou.

O índice DAX, em Frankfurt, subiu 1,61%, aos 9.456,53 pontos, com destaque para as ações Volkswagen, que avançaram 2,08% após as vendas de carros na União Europeia em outubro aumentarem pelo segundo mês consecutivo, afastando preocupações de que a recuperação do setor automotivo da região estivesse perdendo fôlego no fim do ano. Os registros de carros novos subiram 6,5% em outubro ante setembro, para 1,07 milhão de unidades.

No Reino Unido, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 1,3% em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, um pouco acima da previsão de 1,2%, de acordo com analistas consultados pela Dow Jones Newswires. O indicador ajudou o índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, a superar a marca de 6.700 pontos pela primeira vez desde setembro.

O FTSE-100 fechou em alta de 0,56%, aos 6.709,13 pontos. Os principais ganhos foram da Tullow Oil, que subiu 3,55%, apesar da agência de classificação de risco Standard & Poor’s ter cortado o rating da companhia para BB-. Operadores afirmaram que algumas companhias de petróleo podem se tornar alvo de aquisições devido à queda prolongada nos preços da commodity.

Também contribuiu para os ganhos nos mercados europeus o anúncio do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, de que vai dissolver a Câmara Baixa do Parlamento em 21 de novembro. Abe convocou eleições antecipadas, a serem realizadas em dezembro, para buscar apoio à decisão de adiar um aumento planejado do imposto sobre vendas para abril de 2017. A declaração foi feita um dia após dados mostrarem contração de dois trimestres seguidos na economia japonesa, caracterizando uma recessão técnica.

Em Paris, o CAC-40 fechou aos 4.262,38 pontos, alta de 0,86%. O FTSEMib, em Milão, avançou 0,71%, para 19.352,95 pontos. O IBEX-35, em Madri, ganhou 1,20%, para 10.732,90 pontos, e o PSI-20, em Lisboa, subiu 0,94%, para 5.227,17 pontos.