ATUALIZADA ÀS 14H20

Um dia após a ofensiva comercial lançada por Donald Trump, com tarifas em larga escala, as principais Bolsas do mundo operavam com índices negativos nesta quinta-feira, 3, com os investidores cautelosos sobre as possíveis consequências na inflação e no crescimento.

Os principais índices de Wall Street operam em forte queda por volta das 14h20 (horário de Brasília). O Dow Jones caía 3,1%, para 40,905,53 pontos, o S&P 500 perdia 4%, para 5,443,89 pontos e o Nasdaq Composite afundava 5,1%, para 16,693.89 pontos.

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As ações da Apple afundavam, atingida por uma tarifa agregada de 54% sobre a China – a base de grande parte de sua fabricação. Microsoft e Nvidia também tinham forte queda.

No Brasil, o Ibovespa opera em alta alta e o dólar despenca, negociado perto de R$ 5,60.

Bolsas da Europa fecham em forte queda após tarifas de Trump

As bolsas europeias fecharam em forte queda após o anúncio das tarifas. Para a União Europeia, a tarifa aplicada será de 20% e, para o Reino Unido, de 10%.

A divulgação da ata do Banco Central Europeu (BCE) reforçou temores de que a combinação dessas tarifas com medidas de retaliação possa pressionar a inflação no curto prazo, levando a um quadro de estagflação.

Em Londres, o FTSE 100 recuou 1,55%, para 8.474,74 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu 3,08%, fechando em 21.700,36 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, teve queda de 3,31%, encerrando a sessão em 7.598,98 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,08%, para 13.192,07 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, subiu 0,13%, para 6.967,03 pontos. Já o FTSE MIB, de Milão, recuou 3,60%, fechando em 37.070,83 pontos. As cotações são preliminares.

Empresas com forte exposição ao comércio global foram as mais afetadas. A Adidas, gigante do setor esportivo, despencou 11,7%, enquanto a Maersk, considerada um termômetro do comércio internacional, caiu 9,5%.

O índice Stoxx Autos recuou 3,3% após a entrada em vigor das novas tarifas de 25% sobre veículos importados pelos EUA. Entre as montadoras, a Stellantis, na Itália, sofreu uma queda de 8%, enquanto Mercedes e Volkswagen recuaram 4,1% e 4,4%, respectivamente.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia está finalizando contramedidas para responder ao aumento tarifário imposto por Washington.

O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, alertou que as incertezas decorrentes das tarifas e das tensões geopolíticas exigem uma postura “extremamente prudente” da autoridade monetária na condução da política econômica.

Na Espanha, o governo anunciou um pacote de ajuda de 14,1 bilhões de euros para mitigar os impactos internos das tarifas.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que pretende reagir com “cabeça fria e calma” às medidas de Trump. Já o presidente da França classificou as tarifas como “brutais” e prometeu uma resposta “mais massiva” do que a anterior.

Diante do tarifaço, dados econômicos da Europa ficaram em segundo plano. Os PMIs (Índices de Gerentes de Compras) de serviços da Alemanha e da zona do euro superaram as previsões do mercado, enquanto o do Reino Unido ficou abaixo do esperado.

Bolsas da Ásia fecham em queda

Na Ásia, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em queda expressiva de 2,77% e Shenzhen perdeu 1,40%. Nos últimos minutos da sessão, Hong Kong recuava 1,69%. Em contrapartida, Xangai perdeu apenas 0,24% e Seul cedeu 0,76%.

Em um longo discurso na noite de quarta-feira, Donald Trump anunciou tarifas para os produtos procedentes da União Europeia (20%), da China (34%), que se somam aos 20% já aplicados desde a posse do republicano; do Japão (24%) e da Suíça (31%), entre outros países.

A ofensiva protecionista da Casa Branca não tem precedentes desde a década de 1930 e também prevê uma tarifa adicional de 10% para todos os produtos que entram nos Estados Unidos, assim como aumentos para países que Donald Trump considera particularmente hostis no plano comercial.

Os economistas do Deutsche Bank apontaram que “a taxa média das tarifas sobre as importações americanas poderá ficar entre 25 e 30%, o que corresponderia aos níveis do início do século XX”.

Diante da mudança de paradigma inédita no comércio internacional em quase um século, o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, desaconselhou a adoção de represálias para evitar “uma escalada”.

“Sentem, assimilem, vejamos como será. Porque se adotarem represálias, haverá uma escalada. Se não adotarem represálias, este é o ponto máximo”, declarou Bessent.

“Teremos que observar o impacto das tarifas nas margens, no consumo, nas taxas e na inflação para julgar a profundidade do impacto na inflação e no crescimento. No momento, ainda há alguma incerteza”, comentou Florian Ielpo, diretor de pesquisa macroeconômica na Lombard Odier IM.

“As estimativas históricas indicam um aumento da inflação de 3% a curto prazo, mas também um impacto negativo de -1,5% no crescimento mundial nos próximos 18 meses”, destacou o economista.

Diante de tanta incerteza, os investidores optam por valores refugio como o ouro, que nesta quinta-feira alcançou a cotação recorde de 3.167,84 dólares (17.927 reais) a onça (31,1 gramas).

No mercado cambial, “o dólar americano caiu e registrou a menor cotação desde que Trump chegou à Casa Branca”, destacou a analista Ipek Ozkardeskaya. Às 7h30 GMT (4h30 de Brasília), o divisa registrava o menor nível desde outubro, em queda de 0,85%, a 1,0986 dólar por euro.

No mercado de petróleo, o preço do barril de Brent do Mar do Norte recuava 3,34%, a 72,45 dólares, e o de seu equivalente americano, o WTI, caía 3,57%, a 69,15 dólares.