De novo em quarentena devido ao coronavírus, mas desta vez por ter estado em contato com um infectado, Boris Johnson afirmou nesta segunda-feira (16) que está em boa forma e tem muitos anticorpos após a grave doença que o levou ao hospital em abril.

“Não importa que eu esteja em ótima forma, que me sinta ótimo… que tive a doença e estou cheio de anticorpos”, disse em um vídeo divulgado no Twitter.

Depois contrair o coronavírus em abril, Johnson ficou internado durante uma semana em um um hospital em Londres. Ele passou três dias em uma Unidade de Terapia Intensiva.

Com quase 52.000 mortos, o Reino Unido é o país europeu com o maior número de vítimas fatais pela pandemia e algumas de suas regiões, como Inglaterra ou Gales, estão em confinamento pela segunda vez.

Neste contexto, os serviços de rastreamento informaram a Johnson que um deputado conservador com quem esteve recentemente em contato deu positivo ao teste da covid-19.

E apesar de garantir que manteve o distanciamento e não demonstrou nenhum sintoma, o primeiro-ministro decidiu dar o exemplo.

“Nós precisamos interromper a propagação da doença e uma das maneiras de fazer isso é com o auto-isolamento por 14 dias quando recebemos o contato do ‘Test and Trace'” (o sistema de rastreamento britânico), acrescentou.

– Mau momento –

O líder conservador continuará trabalhando à distância, mas o momento não poderia ser mais inoportuno.

Por um lado, as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia em busca de um acordo comercial para suas relações pós-Brexit, da qual o período de transição se encerra em 31 de dezembro, serão retomadas nesta segunda-feira em Bruxelas.

Todos os prazos estabelecidos por ambas as partes já se esgotaram e aparentemente ainda resta muito trabalho a ser feito.

“Se não houver um grande avanço até a próxima semana ou dez dias, acredito que realmente temos um problema e a atenção, creio, começará a se voltar para o preparo de uma ruptura sem acordo e tudo o que isso acarreta”, alertou à rádio irlandesa Newstalk o ministro das Relações Exteriores da República da Irlanda, Simon Coveney.

“Estou seguro de que se o primeiro-ministro precisar falar com alguém na Europa, ele poderá fazer isso pelo Zoom”, disse o ministro da Saúde britânico Matt Hancock, ao canal Sky News.

Por outro lado, a quarentena de Johnson ocorre justamente após uma grande crise interna em Downing Street que na sexta-feira viu a saída inesperada de seu mais controverso e influente assessor, o arquiteto de sua vitória eleitoral esmagadora e do referendo do Brexit em 2016, Domic Cummings.

Negando ter se demitido pela renúncia poucos dias antes do diretor de comunicação de Johnson e um grande aliado seu, Lee Cain, Cummings reiterou que sua intenção era deixar o cargo no final do ano.

Mas na sexta-feira à noite a mídia mostrou imagens do “assessor especial” saindo de Downing Street com seus pertences em uma caixa.

Segundo a imprensa britânica, Cain renunciou depois que importantes figuras do Partido Conservador, incluindo a companheira do primeiro-ministro Carrie Symonds, se opuseram a sua nomeação como diretor de gabinete de Johnson, um cargo que Cummings só poderia conceder a um homem de sua total confiança e lealdade.

Agora, com os dois fora de jogo, o líder conservador precisa encontrar, em sua quarentena, um novo candidato para dirigir seu gabinete que, segundo a mídia britânica, poderia ser o ex-ministro das Finanças Sajid Javid.